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Ryanair despede uma centena de trabalhadores em Faro

A empresa de aviação low-cost anunciou o encerramento da sua base no aeroporto de Faro a partir de janeiro. Os voos mantêm-se mas os empregos não. Estão em causa cerca de 100 trabalhadores.
Avião da Ryanair no Aeroporto de Faro em 2010.
Avião da Ryanair no Aeroporto de Faro em 2010. Foto de Hugo Cadavez. Flickr.

Na passada terça-feira, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e a Ryanair tinham encontro marcado na Direção Geral do Emprego e das Relações do Trabalho (DGERT). Na ordem do dia estava a discussão dos serviços mínimos para a greve que afetará a empresa entre 21 a 25 de agosto. E sobre isto não houve acordo: do lado do sindicato recusaram-se quaisquer serviços mínimos devido à existência de alternativas, do lado da empresa foi apresentada uma lista de serviços mínimos que cobria quase todos os voos previstos.

Só que o tema do dia foi muito além disso. Segundo a presidente do SNPVAC, Luciana Passo, uma diretora de recursos humanos da Ryanair, presente na reunião, anunciou o encerramento da base da empresa no aeroporto de Faro em funcionamento há nove anos.

O encerramento desta base não significa que a empresa deixe de operar em Faro. Mas quer dizer que, a partir de janeiro de 2020, cerca de uma centena de trabalhadores vão perder os seus postos de trabalho.

Segundo declarações de Luciana Passo à Lusa, a Ryanair já tinha ameaçado reduzir o número de pilotos e tripulantes mas este anúncio “vem num timing que parece de tentativa de coação para que as pessoas tenham medo de fazer greve”.

O SNPVAC acusa a Ryanair de não cumprir a legislação portuguesa de trabalho, nomeadamente estando em falta com pagamentos de subsídios de férias e de Natal, não dando direito a 22 dias úteis de férias por ano, não seguindo a lei de parentalidade e não integrando os trabalhadores com mais de dois anos de serviço. Luciana Passo lembra ainda que a empresa beneficiou de subsídios para se instalar em Faro à boleia do programa Initiative: PT.

Para além da base de Faro, há mais três a operar no país (Porto, Lisboa e Açores), sobre as quais não há informação de um possível encerramento. Mas, em comunicado lançado a 16 de julho, a Ryanair tinha já deixado por escrito que “algumas das bases da empresa serão reduzidas ou fechadas este inverno”.

A empresa não vive bons tempos internacionalmente. O seu lucro desceu 21% no primeiro trimestre do ano, em comparação com 2018. E, no passado dia um de agosto, admitiu a possibilidade de, em toda a Europa, despedir à volta de 500 pilotos e 400 tripulantes de cabine, culpando o Brexit, o aumento do preço dos combustíveis e o atrasos na entrega dos aviões Boeing 737 Max.

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