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Rex Tillerson, o moderado de Trump que afinal é negacionista climático

Donald Trump nomeou o CEO da ExxonMobil como Secretário de Estado dos EUA. Tido como um moderado que aceita o aquecimento global, a verdade é que apoia o negacionismo climático.
Rex Tillerson
Rex Tillerson CEO ExxonMobil, Michael Reynolds EPA/Lusa

O ainda Presidente da ExxonMobil e recém-nomeado Secretário de Estado dos EUA (Ministro dos Negócios Estrangeiros) Rex Tillerson causou polémica pela sua proximidade à oligarquia de Vladimir Putin. No entanto, por entre nomeações de radicais de extrema-direita particularmente avessos à proteção do ambiente (Donald Trump acha que o aquecimento global é uma conspiração chinesa), o Washington Post e outros jornais tomaram como um sinal de moderação da futura administração Trump o facto de Tillerson aceitar o aquecimento global.  Mas será isso mesmo assim?

A Exxon Mobile, maior corporação de produtos petrolíferos e gás do mundo, com interesses em mais de 21 países e uma secção de espionagem autónoma, tem uma relação problemática com o aquecimento global desde o final dos anos 70.

Começaram por ser pioneiros nos estudos sobre o aquecimento global. James F. Black, investigador científico contratado pela Exxon, apresentou um resumo aos presidentes da Exxon que começava da seguinte forma: "em primeiro lugar, há um acordo científico de que a forma mais provável de influência humana sobre o ecossistema global está a acontecer através de emissões de dióxido de carbono libertadas por combustíveis fósseis". Estávamos em julho de 1977.

Um ano mais tarde, apresentou o seu trabalho a mais colegas cientistas da Exxon, onde calculava um aumento de 2 a 3 graus de temperatura nas zonas temperadas, e 10 graus nos pólos, resultando na destruição da capacidade agrícola de alguns países. E concluía que a humanidade teria "uma janela de 5 a 10 anos antes de ser obrigado a tomar decisões críticas sobre a sua estratégia energética."

Passados poucos meses a Exxon lançou um programa ambicioso e bem financiado para aprofundar a pesquisa de Black, com um plano plurianual de investigação garantido a dez anos, mais se fosse necessário. Depois, subitamente e já nos anos 80, a Exxon cortou os fundos e começou a apoiar o negacionismo climático.

Criou e financiou uma rede de ataque no debate público que hoje chamamos de "pós-factual" (e que deveríamos chamar de "mentira profissional") e que se dedicou a negar tudo aquilo que já tinha confirmado poucos anos antes. Essa estrutura mantém-se intacta até hoje.

Em 1997, Lee Raymond, CEO da Exxon na altura, afirmava que "Atualmente, os estudos científicos não são conclusivos", o arquétipo da desinformação sobre aquecimento global e que contraria de tal forma as conclusões iniciais da Exxon que a Securities and Exchange Comission dos EUA lançou uma investigação para saber se a empresa avaliou corretamente os seus bens à luz dos limites de emissões de carbono hoje confirmados.

Estas são as revelações da ICN - Inside Climate News, que analisou 9 anos de documentos internos da Exxon hoje em domínio público.
Paralelamente, um grupo de investigadores do MIT e Harvard decidiu investigar as relações da ExxonMobil e um grupo de think tanks e organizações não governamentais que promovem o negacionismo climático.

Concluíram que, pelo menos até 2014 (último ano com informação disponível) a ExxonMobil contruiu sustentadamente com centenas de milhares de dólares para estes grupos, incluindo o American Legislative Exchange Council, que se dedica a ensinar negacionismo climático a estudantes do ensino primário, ou a Nacional Black Chamber of Commerce.

Esta é a verdadeira posição de Rex Tillerson, o negacionista climático moderado da administração Trump.

 

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