Regresso dos subsídios só em 2018 é "burla política"

30 de abril 2012 - 17:31

O ministro das Finanças diz que fará a reposição dos subsídios de Natal e férias na totalidade apenas em 2018. É uma "enorme burla política, económica e financeira", diz Francisco Louçã, "porque ninguém pode saber o que acontece sete anos depois de terem sido tirados estes subsídios".

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Foto Miguel A. Lopes/Lusa

Vítor Gaspar afirmou esta segunda-feira, no fim do Conselho de Ministros extraordinário que aprovou o Documento de Estratégia Orçamental 2012-2016, que a reposição dos subsídios subtraídos aos trabalhadores este ano só começará a ser reposto em 2015, ao ritmo de 25% ao ano. Ou seja, apenas em 2018 seria reposta a totalidade dos subsídios que o Governo começou por dizer que retirava apenas em 2012 e 2013.



"O Governo garante que no último ano antes das eleições do próximo mandato do próximo governo talvez devolva aos portugueses o que no dia 1 de abril de 2011 era um disparate: o subsídio de Natal que nunca seria tirado a ninguém", disse Louçã, reagindo às palavras de Vítor Gaspar.



Para o coordenador bloquista, que reuniu com a Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, "o Governo mostrou hoje que tem contas que não batem certo". "Todos os dias estão a ser tomadas medidas de austeridade e todos os dias o Governo diz que não estão a ser tomadas novas medidas de austeridade. Esta semana vai ser votada a simplificação dos despedimentos e a redução do apoio aos desempregados, a semana passada a ministra do CDS anunciou uma nova taxa para ser paga pelos consumidores que fazem compras nas grandes superfícies", argumentou.



Louçã lembrou ainda que o "Governo anunciou que no próximo ano o Estado vai reduzir a conta do Estado, com aumento de impostos ou com corte de despesa, já sabemos onde, em mais de três mil milhões de euros". "Não se pode ver onde é que isso pode acontecer, depois de tanto ataque aos salários, tanto aumento do preço dos transportes, do gás, da eletricidade, do aumento das taxas moderadoras, do aumento das propinas. O Governo provou hoje que tem contas que são contas de fantasia, para uma economia que vive cada vez pior, para um país que não consegue respirar", concluiu Louçã.

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