Puigdemont recusa convocar eleições sem garantias de Madrid

26 de outubro 2017 - 16:28

O presidente do governo catalão anunciou que não recebeu do governo espanhol a garantia de não aplicar o artigo 155 da Constituição, que suspende a autonomia na Catalunha. A hipótese de novas eleições fica para já afastada.

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Comunicação de Carles Puigdemont esta quinta feira. Imagem Generalitat/Twiter

“Estava disposto a convocar as eleições se e quando houvesse garantias que permitissem a sua realização em absoluta normalidade. Não existe nenhuma garantia que justifique hoje a convocatória de eleições”, afirmou Carles Puigdemont esta quinta-feira, após um dia de intensa especulação política sobre o futuro imediato da Catalunha.

Segundo o El Periódico, o chefe do governo basco e um grupo de empresários catalães tentaram fazer a mediação entre Puigdemont e Rajoy para se aproximarem do compromisso de anular a aplicação do artigo 155, que continua em debate no Senado espanhol, em troca da realização de eleições no atual marco legal das autonomias.

Mas o acordo que parecia fechado ao meio dia acabou por não ser aceite pelo governo do PP, o que fez adiar por duas vezes a declaração de Carles Puigdemont. Ao início da tarde, os parceiros de coligação da ERC ameaçavam sair do governo em caso de novas eleições e dois deputados do partido de Puigdemont afirmaram a intenção de abandonar o partido. Em Barcelona, milhares de estudantes em greve concentraram-se à porta da sede do governo, entoando cânticos que acusavam o presidente de traição, por não respeitar a vontade do referendo de 1 de outubro.

“Ninguém pode dizer que não estive disposto a fazer sacrifícios para garantir que haveria possibilidades de diálogo”, afirmou Puigdemont, antes de entregar aos deputados a decisão sobre a resposta à aplicação do artigo 155.

“É uma aplicação fora da lei, abusiva e injusta”, prosseguiu o chefe do governo catalão, acusando os seus defensores de “não dissimularem a intenção vingativa de um Estado que se viu derrotado a 1 de outubro”. “O governo espanhol aproveitou esta situação para aumentar a tensão, numa altura em que é necessária a máxima distensão e diálogo”, acrescentou.

Por fim, Puigdemont apelou à calma nas ruas. “O compromisso com a paz e o civismo devem manter-se mais firmes do que nunca, pois só desta forma podemos ganhar no fim”, concluiu.