PT quer despedir milhares de precários

15 de outubro 2014 - 0:08

Depois dos resultados desastrosos da gestão de Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, a nova administração da empresa anuncia a intenção de vir a cortar nos 16 mil trabalhadores que utiliza abusivamente em esquemas de outsourcing.

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Os trabalhadores da PT que são mantidos em regime de outsourcing são essenciais ao funcionamento da empresa. Foto de Paulete Matos
Os trabalhadores da PT que são mantidos em regime de outsourcing são essenciais ao funcionamento da empresa. Foto de Paulete Matos

A Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis denunciou em comunicado que a Portugal Telecom pretende realizar um despedimento coletivo de milhares de trabalhadores precários, anunciando a intenção de vir a cortar nos 16 mil trabalhadores que utiliza abusivamente em esquemas de outsourcing.

O comunicado recorda os múltiplos casos em que a PT, gerida por Zeinal Bava ou Henrique Granadeiro, “utilizou empresas de trabalho temporário para poder manter mais de metade da força de trabalho da PT fora das contas da empresa”, dezenas de milhares de trabalhadores, técnicos qualificados, operadores de call center, de manutenção e muitos outros, “que foram impedidos de aceder aos seus plenos direitos e salários enquanto trabalhadores”.

Mas hoje, “perante o massivo rombo” da gestão ruinosa da PT que na hecatombe do grupo GES enterrou 900 milhões de euros, a escolha da nova administração é “consumar o saque aos trabalhadores precários e realizar um despedimento coletivo de milhares daqueles que foram durante anos mantidos em relações laborais muitas vezes ilegais e fraudulentas”.

Nova administração quer consumar o saque aos trabalhadores precários e realizar um despedimento coletivo de milhares.

O comunicado sustenta que estes trabalhadores da PT não são descartáveis. “Os trabalhadores da PT que são mantidos em regime de outsourcing são essenciais ao funcionamento da empresa, sendo vítimas de uma gestão ruinosa, que se remunerou durante anos a peso de ouro a partir da desvalorização salarial destes trabalhadores”.

Redução drástica do outsourcing

A intenção de despedir os precários foi confirmada indiretamente pelo Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom (STPT) depois de uma reunião com o engenheiro Armando de Almeida, presidente da PT Portugal que afirmou em comunicado que “o plano de reestruturação da PT Portugal não passará por despedimentos coletivos na empresa", referindo-se apenas aos trabalhadores contratados.

E prosseguiu: “Não deixou, no entanto, de esclarecer que várias alterações terão de acontecer, nomeadamente a redução drástica do outsourcing, libertando essas funções que deverão ser desempenhadas pelos trabalhadores da empresa". E acrescenta o STPT: "A redução de custos terá de ser preocupação forte na fase difícil que a empresa atravessa".