Em declarações Lusa, Telmo Batista disse estar “seriamente preocupado” com o que está a acontecer com os psicólogos do Hospital Júlio de Matos, mas alertou que esta é uma situação mais abrangente, que afecta mais do que aqueles 23 profissionais.
“Temos várias dezenas de psicólogos nesta situação, juntando as duas situações, tanto do Hospital Júlio de Matos como os psicólogos dos centros de saúde”, adiantou o bastonário da Ordem dos Psicólogos (OP).
O problema foi dado a conhecer pelos psicólogos do Hospital Júlio de Matos (Lisboa) a 13 de Julho, quando estes denunciaram que a instituição de saúde vai perder mais de metade dos psicólogos no final do mês. A questão tem a ver com o facto de estes profissionais não poderem candidatar-se a um futuro concurso da tutela que exige um estágio profissional, que é inexistente desde 2001.
“Queríamos muito ter uma audiência com a senhora ministra da saúde, mas está a ser a coisa mais difícil de fazer que temos enfrentado”, apontou Telmo Batista.
De acordo com o bastonário, há “muita coisa para falar” com Ana Jorge, mas da parte da tutela não vem um esclarecimento quanto a uma possível solução.
“Nós não temos a certeza do que está a acontecer e as informações que nós temos é de haver reduções sérias dos contratos desses profissionais, o que vai afectar a prestação de cuidados às populações”, adiantou.
“Não sei o que estão a fazer, mas gostava muito de saber”
Em declarações aos jornalistas, a 14 de Julho, a ministra da Saúde garantiu estar a trabalhar com as administrações dos hospitais na solução para o problema que afecta os psicólogos do Júlio de Matos, bem como outros técnicos de saúde, mas para Telmo Batista essa garantia não chega.
“Não sei o que estão a fazer, mas gostava muito de saber. Pedimos uma reunião há meses, mas têm-se mostrado totalmente indisponíveis para conversar connosco apesar das nossas constantes insistências”, criticou o bastonário, lembrando que em cima da mesa estão também questões internas da Ordem, como a regulamentação dos estágios profissionais.
“Acho que no actual momento em que vive o país em que se acentuam as questões de carácter social, momentos que também têm impacto do ponto de vista psicológico, estar a diminuir os recursos que as pessoas podem ter ao seu dispor, parece-me algo inaceitável”, concluiu Telmo Batista.