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PS e PSD juntaram-se para reprovar na Assembleia da República um voto de solidariedade à luta pela democracia do Egipto apresentado pelo Bloco de Esquerda. O voto, na sua parte resolutiva (que é o que realmente é votado), dizia: “A Assembleia da República, reunida em plenário, solidariza‐se com os protestos pacíficos do povo egípcio e com as suas exigências de fim imediato da ditadura e de marcação de eleições livres.” Leia aqui o voto na íntegra.
O CDS-PP absteve-se, bem como quatro deputados socialistas que não acompanharam a votação da sua bancada (Vera Jardim, Jamila Madeira, Defensor Moura e Manuel Mota). PCP e Verdes juntaram-se ao Bloco e votaram a favor.
No debate do voto, o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, justificou a posição da sua bancada argumentando que o voto era “oportunista” e que o Bloco tentava projectar um “moralismo bacoco” na análise política da situação no Egipto.
Pelo PSD, o deputado Carlos Gonçalves usou as imagens de violência dos últimos dias no Egipto para argumentar que “não faz sentido aprovar o voto do Bloco de Esquerda num momento de ainda grande incerteza”.
Na apresentação do voto, o deputado do Bloco Jorge Costa explicou que a iniciativa do seu partido era “um convite à Assembleia da República" para se unir numa "saudação à liberdade”, considerando que o que se está a passar no Egipto é “uma lição para os senhores da guerra” sobre o facto de a “democracia ser uma conquista dos povos”.
A deputada Paula Santos, do PCP, alinhou na condenação da repressão ao povo egípcio, considerando que o que se está a passar naquele país é indissociável da crise do capitalismo.
Partido de Mubarak era irmão do PS
Recorde-se que o ditador Hosni Mubarak é a principal figura do Partido Nacional Democrático (PND), que era membro da Internacional Socialista. Só foi expulso na passada terça-feira. A decisão foi justificada não pelos mais de 30 anos de ditadura imposta por Mubarak, mas porque a organização “esperava uma mensagem de Mubarak ao povo do Egipto que mostrasse um claro caminho para a mudança política, social e económica, que não aconteceu.”
No dia 18 de Janeiro, a Internacional Socialista expulsara igualmente o partido do já então deposto e fugitivo ex-presidente Ben Ali, a União Constitucional Democrática (RCD) da Tunísia.