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Protestos continuam no Wisconsin, governador chamou Guarda Nacional

Na segunda noite de protestos contra a brutalidade e o racismo policial, os manifestantes desafiaram o recolher obrigatório na cidade norte-americana de Kenosha.
Protestos em Kenosha
Protestos desta segunda-feira em Kenosha. Foto de Ashlee Rezin Garcia/Twitter

Carros e lojas incendiadas, gás lacrimogéneo e bombas de atordoamento marcaram a noite de segunda-feira na cidade de Kenosha, no estado norte-americano do Wisconsin onde na véspera um agente da polícia baleou por sete vezes um cidadão negro que se preparava para entrar no seu automóvel. Os três filhos menores estavam dentro do carro e assistiram a tudo. Jacob Blake, de 29 anos, encontra-se ainda em estado crítico no hospital.

As manifestações noturnas opuseram polícias fortemente armados a grupos de jovens que desafiaram o recolher obrigatório marcado para as 8 da noite. O governador estadual Tony Evers decidiu chamar a Guarda Nacional “para proteger infraestrutura essencial” nos próximos dias naquela cidade de cerca de 100 mil habitantes à beira do Lago Michigan e a cem quilómetros a norte de Chicago. Durante o dia, milhares de pessoas marcharam em solidariedade com a vítima da brutalidade policial.

Cidade de Kenosha tem historial de impunidade policial em casos de homicídios

A investigação a este caso está agora a começar e sabe-se que os agentes não dispunham de câmaras de vídeo corporais. O Departamento de Justiça do estado vai determinar se a ação dos polícias constitui crime, mas o procurador diz também esperar que as autoridades federais desenvolvam uma investigação paralela. Essa investigação, acrescenta Michael Graveley, irá “permitir a esta comunidade sarar mais rapidamente as suas feridas, uma vez que as agências independentes poderão determinar ao mesmo tempo se se justificam quaisquer acusações criminais”.

O Wisconsin foi o primeiro estado nos EUA a aprovar uma lei que requer uma investigação por parte de uma organização externa a mortes causadas pela polícia ou no caso de a vítima estar sob custódia policial. A iniciativa surgiu a partir da luta prolongada de Michael Bell Sr., após ver inocentados em 48h os polícias que mataram o seu filho de 21 anos à porta de casa em 2004. Essa absolvição surgiu na sequência de uma investigação interna da própria polícia de Kenosha, contestada pelo pai da vítima, que dedicou os anos seguintes a lutar para que a polícia deixe de se investigar a si própria em casos semelhantes. Num processo interposto contra a autoridade local, Bell chegou a um acordo de indemnização de 1.75 milhões de dólares, dinheiro que aplicou no seu combate pela mudança da lei e por uma investigação aprofundada à morte do seu filho.

Após meses de protestos na sequência do homicídio de George Floyd às mãos da polícia, também testemunhado por um vídeo gravado por um transeunte, os disparos pelas costas à queima-roupa dos agentes de Kenosha voltaram a despertar os ativistas de outras cidades, como Nova Iorque, Washington ou Minneapolis. “Continuaremos os protestos até que eles se fartem de nos matar”, afirmou um manifestante à estação televisiva WLNY.

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