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Protestos bloqueiam Hong Kong pelo terceiro dia consecutivo

Metade das estações de metro encerradas, principais avenidas cortadas, gás lacrimogéneo no ar e múltiplos confrontos com a polícia. A “lei de emergência” trouxe o caos a Hong Kong.
Protesto em Hong Kong
Imagem do protesto deste domingo em Hong Kong. Foto Miguel Candela/EPA

Tal como na sexta e no sábado, a situação no centro de Hong Kong continua caótica este domingo, com barricadas erguidas pelos manifestantes nas principais vias de acesso da cidade e dezenas de semáforos destruídos a aumentar a confusão do trânsito. Com metade das 94 estações de metro fora de funcionamento e muitas ruas cortadas, a mobilidade dos habitantes de Hong Kong está seriamente condicionada. Os protestos foram desencadeados pela “lei de emergência” do governo, que recupera legislação da era colonial para proibir o uso de máscaras nas manifestações e vigora desde sexta-feira. A pena para os desobedientes pode ir até um ano de prisão e quase três mil euros de multa.

Pelo terceiro dia consecutivo, milhares de pessoas saíram às ruas de Hong Kong, desobedecendo à lei que os proíbe de usar máscaras. E ao contrário da maior parte das manifestações dos últimos meses, os últimos três dias foram marcados pela destruição e pelo caos nas ruas, mas também pela repressão policial. O “jogo do gato e do rato” entre a polícia e grupos de manifestantes percorreu várias zonas do centro da cidade ao longo do dia.

No sábado, a chefe de governo fez uma declaração a condenar a violência dos protestos. Carrie Lam insistiu que a proibição das máscaras é para continuar. Mas isso não impediu que os protestos regressassem este domingo, ao mesmo tempo que os operadores ferroviários anunciavam o encerramento de várias linhas por razões de segurança. O mesmo aconteceu durante o fim de semana com inúmeros estabelecimentos comerciais da cidade. Muitos edifícios foram vandalizados, em especial os dos bancos e empresas com ligações à China continental.

Ao fim da tarde de domingo, muitos manifestantes rumaram ao bairro de Kowloon Tong, onde se situa um quartel do exército chinês. Num ato inédito nestes meses de protestos, um militar acenou com uma bandeira amarela a partir do telhado do edifício, avisando os manifestantes de que se arriscam a ser presos se não abandonarem o local.

A imprensa oficial chinesa continua a apoiar a “lei de emergência”, condenando em especial o sentimento anti-chinês que marcou os protestos do passado dia 1 de outubro em Hong Kong, com a queima de bandeiras do país no dia em que a República Popular da China comemorava o 70º aniversário da sua fundação. Vários juristas chineses são chamados a dar a sua opinião para defender a conformidade legal da proibição das máscaras e pinturas faciais em reuniões públicas com mais de 50 pessoas. Alguns deles apontam também o dedo aos Estados Unidos, acusando este país de querer promover uma revolução em Hong Kong que possa alastrar à China continental.

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