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Hong Kong: estudante alvejado pela polícia será acusado criminalmente

Um estudante de 18 anos foi alvejado pela polícia de Hong Kong durante os protestos pró-democracia no início desta semana. Agora, a polícia faz saber que irá acusar o jovem de dois crimes.
Hong Kong: estudante alvejado pela polícia será acusado criminalmente
Foto de Studio Incendo/Flickr.

Tsang Chi-kin foi alvejado durante uma manifestação na passada terça-feira, dia em que se assinalaram os 70 anos da fundação da República Popular da China. Um polícia disparou contra o jovem e por pouco não o atingiu no coração. De acordo com o governo, Tsang Chi-kin foi submetido a uma cirurgia e encontra-se de momento em estado estável. Este foi o dia mais violento destes quatro meses: no total, cem manifestantes ficaram feridos, estando cinco em estado grave.

A polícia de Hong Kong divulgou um comunicado oficial no qual faz saber que irão acusar Chi-kin de dois crimes de agressão a agentes da autoridade. Em reação seguiram-se mais protestos nas ruas e sit-ins nas escolas, tendo os manifestantes levado as mãos à zona esquerda do peito em solidariedade com o jovem estudante. Embora venha sendo há muito acusada de uso de força excessiva contra os manifestantes, esta terça-feira foi a primeira vez que a polícia alvejou manifestantes.

No mesmo dia, um grupo de cidadãos enviou a Carrie Lam, chefe do Governo, uma carta subscrita por 4 500 cidadãos, na qual pedem uma investigação “ao abuso de direitos humanos básicos das crianças” durante os protestos pró-democracia dos últimos quatro meses.

A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança define a criança como qualquer pessoa com idade inferior a 18 anos e, entre as cerca de 1 800 pessoas detidas desde o passado mês de junho, mais de 500 são pessoas com idade inferior a 18 anos.

“Condenamos veementemente o abuso de poder por parte do governo e da polícia. Estamos profundamente preocupados com a situação e a segurança das crianças detidas”, acrescentaram os signatários. Se não obtiverem resposta, os signatários informam que irão recorrer ao Comité dos Direitos da Crianças da ONU.

Estes quatro meses de manifestações tiveram origem nas propostas de emendas à lei da extradição. Depois de o governo de Carrie Lam ter retirado a proposta formalmente, os manifestantes continuaram na rua com quatro exigências: a libertação imediata dos manifestantes detidos, que as ações de protesto não sejam qualificadas enquanto motins, a organização de um inquérito independente sobre os casos de violência policial e a demissão de Carrie Lam e eleição por sufrágio universal para chefe de governo e para o parlamento de Hong Kong.

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