Vieram de vários pontos do país a representar dezenas de escolas artísticas do setor privado e cooperativo à porta do Ministério da Educação, em Lisboa. Com cartazes onde se liam mensagens como “15 anos é muito tempo”, “O ensino artístico é tão importante como o convencional” e “No peito dos desafinados também bate um coração” e palavras de ordem como "a Arte não é um luxo”, “A arte unida jamais será vencida” e “É hora de agir, não basta ouvir”, centenas de estudantes, pais e professores exigiram o reforço do financiamento público a quem estuda nestas escolas de música, dança, teatro, artes visuais e audiovisuais.
“Nós somos provavelmente a única modalidade de ensino [ensino artístico especializado] que ainda está a ser financiada pelo Estado com valores definidos em 2009, o que é absolutamente inaceitável”, disse esta semana à Lusa o diretor da Academia de Música de Lisboa, Rui Fernandes. Esse valor era de 3.000 euros por aluno e chegou a ser cortado em 2014 para 2.600 euros. O Estado financia cerca de 31 mil alunos que estudam em escolas privadas do ensino artístico especializado.
As escolas reivindicam também a publicação atempada dos contratos de patrocínio até ao mês de abril. O que tem acontecido nos últimos anos é a divulgação em julho ou agosto. “É sempre à última da hora. As escolas vivem numa agonia e numa angústia durante o período de férias, sobretudo as direções, porque nunca sabem com o que podem contar”, acrescentou Rui Fernandes. Esta incerteza leva os alunos a não saberem se podem entrar no curso e os professores a não saberem qual a carga letiva que terão.
Uma delegação do Bloco de Esquerda esteve presente neste protesto que exigiu também que nenhum aluno seja excluído por falta de vagas ou por desigualdades territoriais.