Protesto de investigadores e alunos do ensino superior interrompe discurso de Nuno Crato

17 de dezembro 2014 - 13:02

Pouco depois de o ministro da Educação dar início à sua intervenção na conferência "Ciência e Inovação no Portugal 2020", a decorrer no ISEG, foi erguida uma faixa com a mensagem: "Parabéns, Crato. O Ensino e a Ciência nunca estiveram tão mal". Os manifestantes exigiram a demissão do governante.

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Foto do facebook de Artigo 74º - Pelo Direito à Educação

Investigadores e estudantes de várias instituições e universidades interromperam Nuno Crato durante a sua intervenção no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) para o congratularem pela destruição que tem causado na Educação e na Ciência desde que tomou posse.

Perto de 20 pessoas, sentadas numa das últimas filas do auditório, ergueram uma faixa com a mensagem “Parabéns Crato. O Ensino e a Ciência nunca estiveram tão mal”. Durante o protesto, que durou cerca de 20 minutos, um canhão de festa lançou confettis para o ar e os investigadores e alunos do ensino superior clamaram pela "Demissão" de Nuno Crato.

Um dos estudantes conseguiu, entretanto, entregar um comunicado ao ministro da Educação, no qual são tecidas duras críticas ao Horizonte 2020 - Programa Quadro comunitário destinado ao apoio da investigação e da inovação nos próximos 6 anos -, cuja concretização, “à semelhança da ação deste governo, não levará ao desenvolvimento e fomento da ciência, investigação e educação, mas à sua destruição e ao reforço das tendências de elitização, de precarização laboral, de rivalidade acrítica e de abandono ou subalternização dos sectores que não produzam resultados financeiros imediatamente tangíveis”.

Interromper o ministro constituiu uma tentativa de os alunos efetivamente “se fazerem ouvir”, já que “o governo se mantém surdo” perante as criticas da comunidade educativa.

Em declarações ao esquerda.net, Sofia Roque explicou que interromper o ministro constituiu uma tentativa de os alunos efetivamente “se fazerem ouvir”, já que “o governo se mantém surdo” perante as criticas da comunidade educativa.

A bolseira de investigação científica questionou que horizonte Nuno Crato considera que podemos esperar quando “temos milhares de estudantes endividados, sem dinheiro para pagar propinas, e mais de metade dos alunos do secundário não chega a candidatar-se ao ensino superior”.

Que horizonte podemos esperar quando "recuámos 20 anos no apoio à investigação", com os valores contemplados nos últimos concursos de bolsas de doutoramento e pós doutoramento a atingirem níveis de 1994.

Sofia Roque inquiriu também que perspetivas podemos ter segundo o ministro da Educação quando perto de “80% dos investigadores nunca chegam a ter um contrato de trabalho, metade das unidades de investigação não têm condições financeiras e logísticas, o que equivale a um terço de investigadores sem futuro assegurado, e recuámos 20 anos no apoio à investigação”, com os valores contemplados nos últimos concursos de bolsas de doutoramento e pós doutoramento a atingirem níveis de 1994.

Por outro lado, “a precarização no ensino é de tal ordem que faz com que os professores contratados acumulem durante anos contratos precários sem nunca entrar para os quadros” e Nuno Crato continua sucessivamente a “lançar o caos” no início do ano letivo, lembrou ainda.