Mais de duas dezenas de pessoas desafiaram a chuva que caiu na manhã de sábado na ilha Terceira e concentraram-se junto à base das Lajes, de onde partiram ao final da manhã mais dois aviões C-130 da Força Aérea dos EUA e onde permanecem os 15 aviões reabastecedores KC-46 Pegasus que têm sido usados no apoio aos ataques ao Irão.
Com megafones e uma faixa onde se lia “Açores fora da guerra de Trump”, várias pessoas mostravam folhas com frases como: “Respeitem o direito internacional”, “Trump fora da Terceira”, “Not in my name [Não em meu nome]” e “Nobel Price of War [Prémio Nobel da Guerra]”.
“Da mesma forma que o Governo tem capacidade de criticar as ameaças de Trump a Espanha, nós acreditamos que o Governo devia ter a capacidade, ter a clareza, de unicamente permitir a utilização da Base das Lajes quando se trata de operações militares que derivem de organizações que tanto Portugal como os Estados Unidos são membro. A nosso ver, não foi esse o caso destas operações militares”, afirmou Laura Alves, porta-voz da manifestação, citada pela agência Lusa.
“O que nos une aqui, na realidade, é a recusa da utilização da Base das Lajes neste momento para utilizações que sejam fora do Acordo de [Cooperação e Defesa]”, salientou a porta-voz da iniciativa cidadã que convocou o protesto, sublinhando que todos os presentes na concentração são “claros opositores ao regime iraniano”, que é “autoritário e viola os direitos humanos”, mas também “opositores a narrativas que justifiquem a escalada deste conflito e ignorem a via diplomática e a via das negociações”.
“Não há paz sem justiça ou segurança, o futuro do Irão cabe ao povo iraniano decidir, não aceitamos mais guerras travadas em nosso nome, nem no nosso território”, acrescentou a ativista na leitura do manifesto que convocou este protesto. O deputado bloquista açoriano António Lima também esteve presente e reafirmou as críticas ao Governo da República e ao Governo Regional, cuja posição “apenas confirma a total submissão” aos interesses dos EUA.
Em comunicado divulgado no início da semana, o Bloco/Açores defendeu que “a Base das Lajes e o território regional devem ser potenciados para atividades pacíficas que contribuam para o desenvolvimento social e económico dos Açores e não devem continuar a ser uma plataforma de apoio às guerras que os EUA semeiam por todo o mundo”.