Depois da depressão Joseph, é a depressão Kristin que vai chegar a Portugal continental na noite de terça-feira e madrugada de quarta-feira. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) qualificou-a como “ciclogénese explosiva”, termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva.
Para responder ao impacto desta forte depressão, a Proteção Civil decretou o estado de prontidão de nível 4, o máximo nesta escala e que mobiliza os dispositivos de resposta até 100%. Os responsáveis da Proteção Civil dizem que aguardam um “fenómeno complexo” e “com potencial destrutivo muito significativo” no território continental.
O maior impacto está previsto entre as 3h da madrugada e as seis da manhã, com rajadas que devem chegar aos 140 km/h. Ainda s conseguir prever quais os locais onde o impacto será maior, o IPMA estima que as zonas mais afetadas serão o Norte e o Centro e sobretudo o litoral. À medida que a depressão se aproximar poderá haver maior precisão sobre as áreas afetadas, embora então já seja demasiado tarde para tomar medidas preventivas. A passagem da depressão será rápida e o IPMA não exclui a existência de tornados e fenómenos semelhantes.
Os conselhos à população são para que garanta a adequada fixação de estruturas soltas. Os distritos do Porto, Aveiro e Coimbra estarão em aviso vermelho do IPMA entre as 3h e as 6h da manhã, tal como Viseu, Guarda e Coimbra entre as 5h e as 9h da manhã. O resto do Continente estará em alerta laranja por causa do vento forte e todos os distritos estarão em alerta amarelo por causa da chuva forte.
Também sob aviso vermelho, mas devido à agitação marítima, entre as 3h e as 21h de quarta-feira, estarão os distritos de Faro, Porto, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga. As ondas poderão atingir os 14 metros de altura.
Bloco/Porto alerta para insuficiência do Plano de Contingência para Pessoas em Situação de Sem-Abrigo
Tal como o fez na passagem da depressão Ingrid na semana passada, a concelhia do Bloco de Esquerda do Porto voltou a criticar a direita no executivo municipal por ter chumbado em dezembro a proposta de revisão do Plano de Contingência para Pessoas em Situação de Sem-Abrigo.
O atual plano prevê que só possa ser ativado com “critérios particularmente restritivos, nomeadamente a exigência de três dias consecutivos com temperatura mínima de 3°C ou menos”, apontam os bloquistas portuenses, acrescentando que “estes critérios ignoram fatores essenciais, reconhecidos pela comunidade científica e pelas entidades meteorológicas, como a sensação térmica, a exposição prolongada ao frio, a humidade e a chuva, que agravam significativamente o risco para quem vive na rua”.
“Manter critérios rígidos e desatualizados, num contexto de agravamento dos fenómenos climáticos extremos, é uma escolha política que coloca em causa a função primeira destes planos: proteger pessoas”, aponta o Bloco/Porto.
Na proposta rejeitada, o Bloco de Esquerda propunha ainda que se avance com a implementação do Programa Local de Espaços de Calor, já aprovado em executivo no último mandato enquanto resposta complementar destinada a garantir a disponibilização de espaços aquecidos, acessíveis e acolhedores onde pessoas em situação de vulnerabilidade possam permanecer durante o dia, encontrando proteção contra o frio e apoio básico durante os períodos de maior risco climático - incluindo pessoas que vivem em pobreza energética, e não apenas pessoas em situação de sem-abrigo.
Notícia atualizada às 18h40 com a posição do Bloco/Porto sobre o chumbo da revisão do Plano de Contingência para Pessoas em Situação de Sem-Abrigo no Porto.