Profissionais acusam o governo de promover “a mais feroz luta ideológica contra o SNS”

06 de agosto 2014 - 2:27

Numa conferência de imprensa realizada esta quarta feira sobre os problemas vividos nos serviços públicos de saúde do Algarve, várias estruturas sindicais denunciaram a falta de profissionais, de materiais e de medicamentos e as suas consequências para os utentes. Os sindicatos acusaram ainda o executivo de privilegiar os privados. Greve de enfermeiros no IPO do Porto teve adesão de 100%.

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Foto de Paulete Matos.

Num documento divulgado esta quarta feira, a União dos Sindicatos do Algarve, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e o Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores frisam que “este Governo desencadeou nos últimos três anos a mais feroz luta ideológica contra o SNS”.

As estruturas sindicais apontam alguns dos problemas mais prementes nos serviços de saúde públicos do Algarve, entre os quais a carência de profissionais - cerca de 350 enfermeiros, 300 médicos, 300 assistentes operacionais e 150 assistentes técnicos - e a falta de materiais e medicamentos, que têm levado a “falhas na resposta aos cidadãos”.

Tempos de espera demasiado longos para primeiras consultas de especialidades, o elevado número de algarvios sem médico de família (148 965), a falta de articulação entre hospitais e centros de saúde, atrasos na marcação de consultas para doentes crónicos, e dificuldades de acesso a ajudas técnicas são alguns dos problemas assinalados.

A degradação das condições laborais, mediante, por exemplo, a imposição de tempo, volume e ritmos de trabalho que levam à exaustão e a precarização dos vínculos contratuais também são alvo de critica por parte dos profissionais.

No documento é ainda denunciado o desinvestimento nos serviços públicos, em benefício dos privados.

As estruturas sindicais anunciam que, neste contexto, “irão realizar plenários com os trabalhadores, nos dias 8 no Hospital de Faro e 11 nos Hospitais de Lagos e Portimão e propor uma greve a realizar ainda em agosto”.

Serão ainda promovidas reuniões “com comissões de utentes, autarcas e outras organizações no sentido de, em conjunto, desenvolverem iniciativas em defesa do SNS, no Algarve”.

Greve de enfermeiros no IPO do Porto teve adesão de 100%

Esta quarta feira, os enfermeiros do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e do Centro Hospitalar do Alto Ave promoveram uma greve em defesa do SNS e pela admissão de mais profissionais.

No IPO do Porto a paralisação registou uma adesão de 100% no internamento, segundo adiantou fonte sindical à agência Lusa.

“Esta greve é o reflexo do descontentamento dos enfermeiros - não só do IPO, porque esta situação vive-se nos hospitais da região do Porto e em todo o país - quanto à grave carência de enfermeiros existente nos serviços hospitalares”, afirmou a presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Fátima Monteiro, em declarações aos jornalistas.

Segundo a dirigente sindical, “faltam cerca de 125 mil enfermeiros nas instituições de saúde em Portugal”.

“É incrível que o Governo invista na formação de profissionais altamente qualificados e, depois, não os admita e estes vão a custo zero para o estrangeiro”, criticou, apontando como “responsáveis” por esta situação o governo e o Ministério da Saúde.

A greve no IPO teve início às 8h, prolongando-se até às 24h. A partir das 10h30, os enfermeiros concentraram-se à porta do hospital. Já no Centro Hospitalar do Alto Ave, a paralisação mantém-se até às 24h de 7 de agosto.

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