Nos últimos dias, o governo irlandês foi confrontado com a demissão de mais de 25% dos seus membros. O primeiro ministro a apresentar a demissão foi Michéal Martin, detentor da pasta das Relações Exteriores, que defendia uma mudança na liderança do partido governante – o Fianna Fáil (FF), presidido pelo representante do governo Brian Cowen.
A Michéal Martin seguiram-se o ministro da Justiça, Dermot Ahern; do Transporte, Noel Dempsey; da Defesa, Tony Killeen; da Empresa e Comércio, Batt O'Keefe, e da Saúde e Infância, Mary Harney, embora esta última não pertença ao FF.
Ao contrário do que pretendia o primeiro-ministro irlandês, o partido dos Verdes, parceiro do Fianna Fáil no governo de coligação, recusou uma reformulação do Executivo, sendo que as pastas dos ministros que se demitiram vão ser acumuladas pelos restantes membros do governo.
Esta demissão em bloco obrigou o primeiro-ministro Brian Cowen a convocar eleições antecipadas para dia 11 de março.
Apesar de ter garantido um voto de confiança do seu partido na passada terça-feira, Brian Cowen foi obrigado a anunciar, este sábado, a sua demissão da direcção do seu partido e irá sujeitar-se a uma forte derrota nas próximas eleições, uma vez que o Fianna Fáil, que dominou a política irlandesa durante grande parte da história da República, recolhe apenas 14% das intenções de voto nas últimas sondagens.
Cowen já assegurou, entretanto, que “é importante que nas próximas semanas o governo dê um efeito legal ao orçamento” que inclui, entre outros, a redução do salário mínimo, o aumento do IVA, e cortes orçamentais na educação, segurança social e saúde, e que resulta dos compromissos assumidos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE).
Um governo Fine Gael/Labour
Ao que tudo indica, o Fine Gael, também de centro-direita, irá encabeçar o próximo governo ao lado do Labour (Partido Trabalhista), de centro-esquerda, sendo que esta renovação de cadeiras não irá traduzir-se numa verdadeira mudança, já que estes dois partidos não têm assumido compromissos concretos no sentido de reverter a política seguida pelo Fianna Fáil.
Os bons resultados obtidos pelo Sinn Fein nas últimas sondagens poderiam apontar para uma participação deste partido no governo, caso fosse do seu interesse, no entanto, e independentemente de quais sejam as intenções do Sinn Fein, o Fine Gail já se opôs firmemente a qualquer coligação com este partido.
A United Left Alliance
No campo da esquerda, as próximas eleições legislativas na Irlanda poderão trazer algumas novidades.
No dia 25 de novembro, a People Before Profite Alliance (PBPA), constituída, na sua maioria, por membros do Socialist Workers Party, o Socialist Party(SP) e o Workers and Unemployed Action Group(TWUG) anunciaram oficialmente a formação de uma nova coligação – a United Left Alliance (ULA), que apresentou até à data, 18 candidatos às próximas eleições.
A ULA prevê eleger entre 5 a 10 candidatos, sendo que as suas maiores esperanças residem na eleição do vereador Richard Boyd Barrett (PBPA), da vereadora Joan Collins Vereador (PBPA), do deputado europeu Joe Higgins (SP) e do vereador Seamus Healy (TWUG).