Os presidentes-executivos das empresas cotadas no PSI 20 auferiram, em 2014, uma remuneração média superior a 660 mil euros, um valor que ultrapassa em trinta vezes a média dos custos por trabalhador, segundo cálculos avançados pelo Diário Económico.
Em empresas como a Jerónimo Martins e a Sonae, a disparidade entre a remuneração dos CEO e os custos com pessoal é ainda maior devido não só aos salários diminutos como também ao recurso significativo aos contratos de tempo parcial. Nestas duas empresas, a remuneração dos presidentes-executivos foi superior em 60 e 55 vezes, respetivamente.
É de referir que o Diário Económico incluiu a remuneração bruta total paga aos CEO, excluindo, contudo, a remuneração variável que só venha a ser efectuada no médio prazo. Já no que respeita ao custo médio com cada trabalhador, o jornal dividiu os custos com pessoal totais - incluindo salários brutos, contribuições para fundos de pensões e planos de saúde -, descontando custos com pessoal extraordinários referentes a reestruturações.
Bloco propõe combate às remunerações globais abusivas
No Manifesto Eleitoral para as Eleições Legislativas 2015, o Bloco propõe o combate às remunerações globais abusivas de administradores, gestores e outros de alta direção, através da introdução de limitações à desigualdade de retribuição nas empresas.
A porta-voz do Bloco, Catarina Martins, refutou o argumento de que os salários milionários servem para premiar os melhores gestores, referindo que os países onde a desigualdade salarial é menor não são vítimas de fuga de quadros. A dirigente bloquista deu o exemplo do ex-presidente da PT, Zeinal Bava, que levou a “empresa ao charco e foi premiado como gestor exemplar”.