"Admito que seja a única possibilidade [a privatização], independentemente da minha opinião pessoal. A manter o serviço público tal como está, existe a necessidade de eliminar alguns constrangimentos que o Estado não tem condições por si só de os assumir", defendeu o presidente da Transtejo, João Pintassilgo, em entrevista à Lusa.
João Pintassilgo (que detém duas empresas, a Transtejo e a Soflusa) sublinhou, no entanto, que a privatização é "uma hipótese como outra qualquer" e que a gestão de uma empresa não é boa por ser privada e má por ser pública: "Todos sabem os resultados quando a empresa tem uma gestão pública, em que existem uma série de condicionantes, mas não é por serem privadas que as empresas de transportes vão dar todas lucro".
O responsável explicou que as informações que têm surgido é que da parte do acionista [o Estado] existe intenção de concessionar a privados a atividade do grupo de transportes, mas defendeu que a qualidade do serviço depende do serviço que se quer e dos condicionalismos existentes.
"Não acredito é que um privado receba depois do Natal, que é o que tem acontecido [com o grupo público], o que é devido em indemnizações compensatórias desde janeiro, ainda para mais com o preço do dinheiro", ressalvou.
Sobre a fusão das duas empresas do grupo, a Transtejo e a Soflusa, João Pintassilgo referiu que o conselho de administração já defende essa medida desde 2006 e que continua a aguardar por uma decisão do Governo. João Pintassilgo admitiu que a fusão das duas empresas, que têm atualmente 520 trabalhadores, pode levar a despedimentos, mas recusou avançar um número. "É pena que estas coisas se façam num período em que o desemprego está em crescendo. Pode levar a despedimentos, mas não só na estrutura marítima, também na estrutura da empresa, que justifica algum emagrecimento, mas até este momento não houve despedimentos", assegurou.
Menos 10% de passageiros em 2012
“A perda de passageiros acumulada de 2012 é de 10%, comparando com período homólogo do ano anterior, o que significa que no total de todas as ligações há menos um milhão de viagens nos primeiros cinco meses do ano”, diz João Pintassilgo.
O grupo Transtejo reduziu, em 2011, a oferta na ligação do Seixal e do Montijo (menos viagens) e, em 2012, a oferta em todas as ligações fora das horas de ponta. Regista-se também uma redução da velocidade dos barcos entre o Barreiro e Lisboa, fora das horas de ponta e fim de semana, que entrou em vigor este domingo. A mudança de velocidade vai permitir arrecadar 400 mil euros por ano e o impacto da redução da oferta calcula-se que seja de um milhão de euros.
A redução da velocidade nos barcos entre Lisboa e o Barreiro, que vai aumentar o tempo de viagem em cinco minutos, deve-se ao facto de esta ser a frota com catamarãs maiores e com maior consumo de combustível, mas os horários serão mantidos.
A Soflusa é responsável pela ligação entre o Barreiro e Lisboa, e a Transtejo gere as ligações entre Cacilhas (Almada), Montijo, Seixal, Trafaria (Almada) e Lisboa.
Presidente da Transtejo admite vantagens na privatização
16 de julho 2012 - 16:27
O presidente do conselho de administração da Transtejo, grupo que assegura as ligações fluviais entre as duas margens do Tejo na região de Lisboa, afirma que a privatização pode ser a única forma de “eliminar constrangimentos” que o Estado, único acionista, não consegue assumir.
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O responsável explicou que as informações que têm surgido é que da parte do acionista [o Estado] existe intenção de concessionar a privados a atividade do grupo de transportes. Foto de Paulete Matos.