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Presidente da Polónia recua na oposição ao aborto

Uma semana de protestos que levaram quase meio milhão de pessoas a Varsóvia esta sexta-feira forçaram o ultra-conservador Andrzej Duda a recuar na sua posição face à proibição do aborto em casos de fetos com problemas congénitos.
"Minha mente, meu corpo, minha escolha", lê-se numa pancarta no protesto desta sexta-feira.
"Minha mente, meu corpo, minha escolha", lê-se numa pancarta no protesto desta sexta-feira. Foto de Grzegorz Zukowski, Flickr.

O Presidente da Polónia, Andrzej Duda, líder do governo ultra-conservador que apoiou a proibição levantada pelo Tribunal Constitucional, afirmou hoje que “a lei não pode exigir esse tipo de heroísmo de uma mulher”, noticia a Agência Lusa.

Em causa a proibição levantada pelo Tribunal Constitucional reformado pelo seu governo, em coligação com o episcopado católico do país, para abortos de fetos com problemas congénitos. Não é ainda claro que consequências terá esta posição de Duda na implementação da decisão do Tribunal.

Estas afirmações de Duda são um volte-face à reação inicial à decisão do

Tribunal Constitucional, que saudou e defendeu há duas semanas, e aparenta ser uma forma de distanciamento com o líder do seu partido, Jaroslaw Kaczynski.  

Esta decisão despoletou uma semana de protestos e mobilização social contra a proibição, num dos países da União Europeia mais restritivos no acesso à interrupção voluntária da gravidez. Menos de 2 mil abortos legais são registados anualmente no país, quase todos devido a malformação do feto.

Segundo uma sondagem divulgada esta semana pelo portal Onet.pl, 66% dos polacos desaprova o acórdão do Tribunal Constitucional e 69% querem um referendo sobre o direito ao aborto.

Após a grande concentração em Varsóvia, na passada sexta-feira, ações de protesto estão a multiplicar-se em menor escala dentro e fora da Polónia, em cidades como Cracóvia e Wroclaw, ou Barcelona e Viena. 

Homens de um grupo de extrema direita, o All-Polish Youth, atacaram mulheres que participavam em protestos durante a noite nalgumas cidades, incluindo Wroclaw, Poznan e Bialystok.

Estes ataques sucedem-se a declarações de Jaroslaw Kaczynki, líder do Partido Lei e Justiça (PiS), onde pediu aos seus apoiantes que saíssem às ruas para defender as igrejas, após diversas mulheres terem interrompido missas no domingo passado. Muitos interpretaram o apelo de Kaczynski como uma permissão à violência contra os manifestantes.

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