O Presidente da Polónia, Andrzej Duda, líder do governo ultra-conservador que apoiou a proibição levantada pelo Tribunal Constitucional, afirmou hoje que “a lei não pode exigir esse tipo de heroísmo de uma mulher”, noticia a Agência Lusa.
Em causa a proibição levantada pelo Tribunal Constitucional reformado pelo seu governo, em coligação com o episcopado católico do país, para abortos de fetos com problemas congénitos. Não é ainda claro que consequências terá esta posição de Duda na implementação da decisão do Tribunal.
Estas afirmações de Duda são um volte-face à reação inicial à decisão do
Tribunal Constitucional, que saudou e defendeu há duas semanas, e aparenta ser uma forma de distanciamento com o líder do seu partido, Jaroslaw Kaczynski.
Esta decisão despoletou uma semana de protestos e mobilização social contra a proibição, num dos países da União Europeia mais restritivos no acesso à interrupção voluntária da gravidez. Menos de 2 mil abortos legais são registados anualmente no país, quase todos devido a malformação do feto.
Segundo uma sondagem divulgada esta semana pelo portal Onet.pl, 66% dos polacos desaprova o acórdão do Tribunal Constitucional e 69% querem um referendo sobre o direito ao aborto.
Após a grande concentração em Varsóvia, na passada sexta-feira, ações de protesto estão a multiplicar-se em menor escala dentro e fora da Polónia, em cidades como Cracóvia e Wroclaw, ou Barcelona e Viena.
Homens de um grupo de extrema direita, o All-Polish Youth, atacaram mulheres que participavam em protestos durante a noite nalgumas cidades, incluindo Wroclaw, Poznan e Bialystok.
Estes ataques sucedem-se a declarações de Jaroslaw Kaczynki, líder do Partido Lei e Justiça (PiS), onde pediu aos seus apoiantes que saíssem às ruas para defender as igrejas, após diversas mulheres terem interrompido missas no domingo passado. Muitos interpretaram o apelo de Kaczynski como uma permissão à violência contra os manifestantes.