Presidente boliviano expropria ações da Rede Elétrica Espanhola

02 de maio 2012 - 0:54

Esta terça feira, Evo Morales anunciou a nacionalização da Transportadora de Eletricidade S.A., gerida pela empresa Rede Elétrica Internacional, filial do Grupo Rede Elétrica, de Espanha. “O investimento espanhol na América Latina sofreu um novo golpe”, noticia o El Pais.

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“Como justa homenagem aos trabalhadores e ao povo boliviano que lutou pela recuperação dos recursos naturais e dos serviços básicos, nacionalizamos a Transportadora de Eletricidade (TDE)”, anunciou Evo Morales numa cerimónia do Dia do Trabalhador, no Palácio do Governo, em La Paz.

"O presente decreto supremo tem por objetivo nacionalizar a favor da Empresa Nacional de Eletrificação (ENDE), representante do Estado Plurinacional, o pacote acionário em mãos da sociedade Rede Elétrica Internacional na Empresa Transportadora de Eletricidade", esclareceu ainda o presidente boliviano que, após ler o decreto, solicitou ao comandante das forças armadas, general Tito Gandarillas, para tomar o controlo das instalações da empresa.

Evo Morales afirmou que a expropriação resulta dos insuficientes investimentos da empresa espanhola, a um ritmo de 3,8 milhões de euros ao ano, nos últimos 16 anos.

Segundo noticia o El País, o presidente boliviano garantiu que o seu governo irá reconhecer os investimentos feitos pela Rede Elétrica espanhola no país e que procederá a qualquer reembolso, se for caso disso.

Cerca de 99,94% do capital da Empresa Transportadora de Eletricidade, fundada em 1997, estava em mãos da Rede Elétrica Internacional desde 2002 e o restante (0,06%) pertencia aos trabalhadores da empresa. Segundo divulga a EFE, a TDE é proprietária e operadora do Sistema Interconectado Nacional boliviano de eletricidade, que abrange 85% do mercado nacional e possui 73% das linhas de transmissão na Bolívia.

Desde 2006, data em que assumiu a presidência da Bolívia, Evo Morales já havia nacionalizado várias empresas do setor da eletricidade e também do setor do petróleo, gás e mineração.

Conforme avança a AFP, o governo espanhol estará "a recolher informações sobre os aspetos técnicos e os aspetos diplomáticos" desta operação.

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