Precisamos de um país “mais equilibrado” e que “não assalta quem trabalha”

01 de maio 2023 - 17:29

Catarina destacou que “as pessoas estão a ver a economia a crescer mas vivem cada vez pior” e defendeu que é preciso “um sistema justo, que permita baixar os preços da habitação e que faça com que quem ganha mais pague mais impostos”.

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Fotos Esquerda.net.

Questionada no início da manifestação do 1º de Maio em Lisboa, convocada pela CGTP, sobre as medidas da dita “Agenda do Trabalho Digno” que entram esta segunda-feira em vigor, Catarina Martins referiu que existem “algumas alterações na lei laboral de combate à precariedade pelas quais o Bloco se bateu imenso e que é importante que entrem em vigor agora”.

“Mas não nos enganemos. O Código do Trabalho continua muito desequilibrado” e as alterações que entram em vigor hoje “não resolvem o problema maior que temos”, continuou a coordenadora do Bloco.

Catarina assinalou que “as pessoas estão a ver a economia a crescer mas vivem cada vez pior”, e que o “crescimento da economia” tem servido para enriquecer uma elite, ao mesmo tempo que “quem trabalha continua a empobrecer”.

“Os lucros têm aumentado, os preços aumentam, só os salários é que não aumentam”, lamentou.

Destacando que “as mudanças laborais não chegam”, a dirigente bloquista afirmou que “é preciso ter outras regras na economia”.

“Temos muitos impostos sobre quem trabalha porque não cobramos impostos a quem não vive do seu trabalho. Damos benefícios fiscais a quem faz especulação sobre as casas e põe as casas a preços proibitivos”, detalhou.

De acordo com Catarina, “temos não só o Código do Trabalho, mas toda a economia e o próprio sistema fiscal absolutamente desequilibrados e a assaltar quem trabalha”.

“Enquanto residentes não habituais, fundos de investimento, e outros, continuarem a ter benefícios fiscais, os preços das casas vão continuar a aumentar e quem trabalha vai continuar a suportar a carga fiscal para poder pagar a Saúde, a Educação, a Habitação”, alertou.

Para a coordenadora do Bloco, “isto não tem nenhum sentido”. “O que é preciso é um sistema justo, que permita baixar os preços da habitação e que faça com que quem ganha mais pague mais impostos e não quem ganha mais nunca paga”, apontou.

Este 1º de Maio serve também para deixar claro que “o país não vive de anúncios, mas sim de medidas concretas, que possam puxar pelos salários, pelas pensões, pelas condições de vida das pessoas, pelo direito a um trabalho digno e também pelo direito à Habitação, à Saúde, à Educação, ou seja, às tantas crises com que o nosso país se defronta e que fazem com que a vida seja tão complicada para a generalidade da população”.