Os números sobre o mercado de trabalho, hoje divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divergem fortemente das estimativas do Governo e dos números oficiais apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística. Em vez dos 15,2 por cento, de taxa oficial de desemprego, a OCDE reconhece que uma em cada pessoas (20,7 por cento) em Portugal está sem emprego.
O desemprego real, avança a OCDE, cresceu 8,4 pontos entre o final de 2007 e 2011. Entre os países que fazem parte desta organização, apenas a Grécia, Espanha, Irlanda e Estónia tiveram um crescimento mais acentuado.
Os números avançados pela OCDE dizem respeito ao último trimestre de 2011, razão pela qual, atendendo ao desempenho da economia e ao crescimento da taxa oficial de desemprego, o número de pessoas sem conseguir um posto de trabalho deve ser ainda superior aos dados hoje conhecidos.
A razão para a discrepância dos números é que, ao contrário do Instituto Nacional de Estatística, a OCDE contabiliza as situações de subemprego e todas as pessoas em idade ativa que querem trabalhar.
O relatório sobre o Emprego prevê que a taxa oficial de desemprego atinja, no final de 2013, 16,3 por cento, uma subida considerável face ao atuais 15,2 por cento. No final do próximo ano, diz a OCDE, Portugal vai precisar de criar 590 mil postos de trabalho para regressar ao nível de emprego existente antes da crise financeira e do euro.