“Não acabou! Tem que acabar! Eu quero o fim da Polícia Militar!”, “Fora Temer!”, “Golpistas, fascistas - não passarão!”, “Marielle e Anderson presentes! Hoje e sempre!” “Racistas, machistas - não passarão!” e “Importam vidas pretas!” foram algumas das palavras de ordem repetidas pela multidão concentrada junto à estátua de Camões, em Lisboa.
No local, o Coletivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa, um dos movimentos que convocaram o protesto, afixou um enorme retrato desenhado de Marielle Franco.
Vários manifestantes empunharam cartazes em que se liam frases como: “Quem mandou matar Anderson e Marielle?”, “Execução sem disfarce”, “Marielle executada por ser negra e combativa” e “Contra a intervenção federal no Rio de Janeiro”.
“São as razões que levaram à sua morte que nos devem levantar para lutar”
Ana Caroline Santos, do Coletivo Andorinha, afirmou que “os assassínios de Marielle e de Anderson são oriundos da violência que acontece hoje no Brasil, mas foram assassínios diferenciados: Marielle foi silenciada, assim como milhares e milhares de mulheres e homens, pessoas que lutam desde 2016 contra a derrocada da democracia no Brasil”.
A deputada bloquista Joana Mortágua afirmou estar presente neste protesto “não apenas para lamentar a morte de Marielle Franco, executada com quatro tiros na cabeça”, mas para “dizer bem alto que sabemos porque é que ela morreu”.
“E são as razões que levaram à sua morte que nos devem levantar para lutar”, avançou a dirigente do Bloco, sublinhando que a vereadora do PSOL “morreu porque era uma mulher negra, favelada, lésbica. Ela morreu por tudo isso mas, sobretudo, por lutar pelos favelados, pelos negros, por lutar pelos direitos, pela democracia no Brasil”.
Segundo Joana Mortágua, estamos perante “um atentado à democracia no Brasil, e temos sempre de nos lembrar que atentados à democracia não têm fronteiras nem têm Atlântico pelo meio”.
Protestos estendem-se a Porto, Braga, Coimbra, Aveiro, Viseu, Viana do Castelo, Vila Real e Covilhã
Os protestos alastraram-se a mais oito cidades portuguesas.
No Porto, cerca de 300 pessoas responderam ao apelo dos movimentos Parar o Machismo, Construir a Igualdade; Festival Feminista do Porto; Contra Temer Porto; e Somos Blergh, concentrando-se em frente ao Consulado do Brasil.
250 pessoas gritam #MariellePresente no Porto. #ForaTemer pic.twitter.com/KgWoEyW8rB
— Esquerda.Net (@EsquerdaNet) 19 de março de 2018
"Marielle foi morta numa execução" lembrou o artista plástico brasileiro radicado em Portugal Sama, avançando que a política brasileira foi a "primeira vítima assumida do golpe de estado que destituiu Dilma [Roussef] da presidência do Brasil".
A presidente da UMAR, Maria José Magalhães, afirmou que os manifestantes estavam ali para expressar a sua “indignação, para exigir ao governo do Brasil uma investigação, que condene os culpados e que pare com os assassinatos”.
“Eles pensavam que tinham matado a Marielle, mas o que conseguiram foi que ela se tornasse num ícone", vincou.
Em Coimbra, mais de 200 pessoas responderam ao apelo da EBRAC - Esquerda Brasileira em Coimbra, da Assembleia Feminista de Coimbra e da APEB/Coimbra, juntando-se nas Escadas Monumentais.
Em Braga, o frio não afastou as mais de cem pessoas que quiseram prestar a sua homenagem a Marielle Franco e denunciar o ataque à democracia no Brasil. Estiveram presentes várias organizações civis, entre as quais a UMAR, Civitas e Braga Fora do Armário.
Em Vila Real, o protesto reuniu cerca de 100 pessoas. Foram várias as intervenções de condenação da execução da vereadora do PSOL, seguidas de um minuto de silêncio em sua homenagem.
Em Viseu, os manifestantes juntaram-se no Rossio, onde, além das intervenções de várias organizações e individualidades, houve ainda espaço para a poesia.
Mais de meia centena de pessoas concentraram-se em frente ao Pelourinho, na Covilhã, onde foram afixados cartazes com frases como: “Marielle é semente!” e “Não nos calarão!”.
Em Aveiro, os manifestantes reuniram-se na maior praça da cidade, onde depositaram flores em homenagem à vereadora do PSOL.
Viana do Castelo também foi palco de um protesto, com uma concentração na Praça da República, a partir das 18h30.