Em Junho de 2007, Paulo Espanhol, residente no bairro do Lagarteiro, no Porto, foi brutalmente espancado por dois agentes policiais na esquadra das Antas. Em resultado das agressões, este cidadão teve, inclusive, que receber assistência hospitalar. Quatro anos depois, os dois agentes são agora condenados a 20 meses de pena de prisão, suspensa por vinte meses, e serão alvo de um processo disciplinar, que entretanto teria sido suspenso durante o processo judicial.
Agressão brutal e gratuita
Paulo Espanhol e o seu filho menor dirigiram-se, em Junho de 2007, à esquadra das Antas após terem sido informados de que uma familiar havia sido detida na sequência de uma rusga ao Bairro do Lagarteiro, e que não existiria, como se veio a confirmar, qualquer queixa pendente sobre a mesma.
Ao tentarem obter algum esclarecimento por parte dos agentes, ambos terão sido agredidos, ainda que o processo referente ao filho de Paulo Espanhol tenha sido entretanto arquivado e a sua agressão não tenha vindo a ser provada.
Perante a impossibilidade de justificar as inúmeras lesões apresentadas por Paulo Espanhol, os elementos das forças policiais acabaram por acusar o cidadão de ter invadido a esquadra, acusação da qual o mesmo foi absolvido, e viriam mais tarde a alegar que as suas lesões seriam resultado de uma queda pelas escadas.
SOS Racismo congratula-se com decisão
A associação SOS Racismo terá acompanhado este caso desde o seu início, tendo emitido, inclusive, logo após os acontecimentos, um comunicado de denúncia da violência policial a que foi sujeito Paulo Espanhol.
Perante a decisão do tribunal, a associação congratula-se pelo facto de a justiça ter sido cumprida e espera que o mesmo venha a acontecer noutras situações, “de modo a que o preconceito, o racismo e a xenofobia não venham a sobrepor-se, como tantas vezes acontece, aos direitos mais elementares de todos os cidadãos”.