Petição pela demissão de Mariano Rajoy já reuniu mais de 1 milhão de assinaturas

08 de fevereiro 2013 - 2:40

A petição pedindo a demissão imediata do governo de Mariano Rajoy reuniu, em oito dias, mais de um milhão de subscritores. Entretanto, surgem novas revelações que apontam para uma relação entre os pagamentos paralelos recebidos pelo PP e as privatizações na área da saúde. Trabalhadores dos media denunciam pressões e tentativa de manipulação informativa.

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Foto EPA/MARKUS SCHREIBER/POOL.

A petição lançada pelo madrileno Pablo Gallego, a 31 de janeiro, na plataforma Change.org, chegou a reunir 430 mil assinaturas em pouco mais de 24 horas, tendo atingido já mais de um milhão de subscritores.

No documento, os peticionários sublinham que é “o momento de todos os que receberam pagamentos paralelos partirem e deixarem de denegrir o nome” do país.

Ex deputado do PP atesta veracidade dos documentos publicados pelo El País

Na quarta feira, o ex deputado nacional do PP Jorge Trías atestou, perante a procuradoria anti corrupção, a veracidade dos documentos publicados pelo jornal El País, que demonstram que toda a cúpula do Partido Popular, incluindo o ex-presidente do partido e do governo José Maria Aznar e o atual, Mariano Rajoy, terá recebido, pelo menos entre 1990 e 2008, pagamentos paralelos, não declarados ao fisco, provenientes de comissões e donativos de empresas arrecadados pela tesouraria do PP.

Segundo avança o El País, Jorge Trías terá confirmado que as cópias manuscritas publicadas correspondem ao caderno original que Bárcenas lhe mostrou há vários anos atrás.

Já Bárcenas e o seu antecessor Álvaro Lapuerta, também ouvidos na procuradoria anti corrupção, continuam a negar a existência de contabilidade oculta.

Procurador geral adianta que há indícios para continuar a investigar o caso Bárcenas

“Com respeito a todas as garantias constitucionais, o propósito do Ministério Fiscal é realizar uma investigação para aclarar a possível existência de atos criminosos”, afirmou Eduardo Torres-Dulce, sublinhando que a procuradoria já solicitou documentos ao Tribunal de Contas, ao PP e à Agência Tributária.

Entretanto, o juiz da Audiência Nacional Pablo Ruz já questionou a procuradoria sobre se deverá decretar a aplicação de uma pulseira electrónica a Bárcenas, tal como solicita a Associação de Advogados Democratas pela Europa (ADADE) , que exerce a acusação popular no caso “Gürtel”.

A ADADE reclama ainda o embargo preventivo dos bens do ex tesoureiro do PP.

Trabalhadores dos media espanhóis denunciam pressões

Os trabalhadores de 'Televisión de Galicia', 'Canal 9', 'Castilla La Mancha Televisión' e 'Telemadrid' têm vindo a denunciar “pressões” e “manipulações informativas” no que respeita à cobertura mediática do caso de alegado financiamento ilegal no PP.

Esta tentativa de manipulação informativa passa, nomeadamente, por apenas transmitir a notícia após a transmissão do desmentido por parte de membros do governo e pela secundarização da notícia nos telejornais, deixando-a para segundo ou terceiro plano.

Ligação entre doações e privatizações na saúde

Num documento citado pelo Público espanhol, o Partido Socialista de Madrid (PSM) denuncia que, entre 2004 e 2008, “o conjunto de obras em matéria sanitária adjudicadas pela comunidade de Madrid”, em especial, as adjudicações de cinco dos oito grandes hospitais objeto de concessão “foram parar precisamente a empresas” que, segundo consta no caderno com as supostas anotações de Bárcenas, “tinham contribuído com doações significativas ao PP”.

Como exemplo, referem as doações de García Pozuelo (18.ooo euros) e de Luis del Rivero (260.000 euros), então conselheiros delegados da Construtora Hispânica S.A. e do Grupo Sacyr, respectivamente, a doação de Juan Miguel Villar Mir (430.000 euros), presidente do grupo OHL, e a doação de José Luis Sanchéz, presidente das Construções Sando. Todos os visados terão beneficiado das adjudicações para a privatização da gestão dos hospitais públicos, segundo avança o PSM.

Bárcenas “tem uma bomba relógio que pode estoirar com o governo”

O coordenador federal da Izquierda Unida (IU) afirmou esta quinta feira que o ex tesoureiro Luis Bárcenas “tem uma bomba relógio que pode estoirar com o governo” e que “é ele que decide se a ativa, quando a ativa e como a ativa, e neste momento voltou a desativá-la, mas tem os ases todos na manga”.

Cayo Lara acusou o Partido Popular de não ter “vontade de fazer uma regeneração democrática”, entre outros motivos, porque no seio desta formação “aninha uma posição determinada de gente que considera que o governo tem que estar ao serviço dos interesses de determinadas empresas”.

Para o responsável máximo da IU, é necessário “um debate político sobre a corrupção para que se retirem conclusões, se diga e se descubra por que razão se chegou a esta situação e que medidas se vão adoptar para que isto não volte a acontecer”.

Despesas não identificadas de 800 mil euros nas eleições legislativas

Paralelamente ao caso Bárcenas, o Tribunal de Contas (TC) veio agora divulgar que o Partido Popular excedeu, em 54 mil euros, o limite estipulado para as despesas com publicidade e imprensa nas eleições legislativas de 2011. O TC esclarece ainda que 16 empresas que foram contratadas pelo PP, e às quais foi paga uma soma total de 800 mil euros, não facultaram dados da facturação, tal como é legalmente exigido.