A petição lançada pelo madrileno Pablo Gallego, a 31 de janeiro, na plataforma Change.org, chegou a reunir 430 mil assinaturas em pouco mais de 24 horas, tendo atingido já mais de um milhão de subscritores.
No documento, os peticionários sublinham que é “o momento de todos os que receberam pagamentos paralelos partirem e deixarem de denegrir o nome” do país.
Ex deputado do PP atesta veracidade dos documentos publicados pelo El País
Na quarta feira, o ex deputado nacional do PP Jorge Trías atestou, perante a procuradoria anti corrupção, a veracidade dos documentos publicados pelo jornal El País, que demonstram que toda a cúpula do Partido Popular, incluindo o ex-presidente do partido e do governo José Maria Aznar e o atual, Mariano Rajoy, terá recebido, pelo menos entre 1990 e 2008, pagamentos paralelos, não declarados ao fisco, provenientes de comissões e donativos de empresas arrecadados pela tesouraria do PP.
Segundo avança o El País, Jorge Trías terá confirmado que as cópias manuscritas publicadas correspondem ao caderno original que Bárcenas lhe mostrou há vários anos atrás.
Já Bárcenas e o seu antecessor Álvaro Lapuerta, também ouvidos na procuradoria anti corrupção, continuam a negar a existência de contabilidade oculta.
Procurador geral adianta que há indícios para continuar a investigar o caso Bárcenas
“Com respeito a todas as garantias constitucionais, o propósito do Ministério Fiscal é realizar uma investigação para aclarar a possível existência de atos criminosos”, afirmou Eduardo Torres-Dulce, sublinhando que a procuradoria já solicitou documentos ao Tribunal de Contas, ao PP e à Agência Tributária.
Entretanto, o juiz da Audiência Nacional Pablo Ruz já questionou a procuradoria sobre se deverá decretar a aplicação de uma pulseira electrónica a Bárcenas, tal como solicita a Associação de Advogados Democratas pela Europa (ADADE) , que exerce a acusação popular no caso “Gürtel”.
A ADADE reclama ainda o embargo preventivo dos bens do ex tesoureiro do PP.
Trabalhadores dos media espanhóis denunciam pressões
Os trabalhadores de 'Televisión de Galicia', 'Canal 9', 'Castilla La Mancha Televisión' e 'Telemadrid' têm vindo a denunciar “pressões” e “manipulações informativas” no que respeita à cobertura mediática do caso de alegado financiamento ilegal no PP.
Esta tentativa de manipulação informativa passa, nomeadamente, por apenas transmitir a notícia após a transmissão do desmentido por parte de membros do governo e pela secundarização da notícia nos telejornais, deixando-a para segundo ou terceiro plano.
Ligação entre doações e privatizações na saúde
Num documento citado pelo Público espanhol, o Partido Socialista de Madrid (PSM) denuncia que, entre 2004 e 2008, “o conjunto de obras em matéria sanitária adjudicadas pela comunidade de Madrid”, em especial, as adjudicações de cinco dos oito grandes hospitais objeto de concessão “foram parar precisamente a empresas” que, segundo consta no caderno com as supostas anotações de Bárcenas, “tinham contribuído com doações significativas ao PP”.
Como exemplo, referem as doações de García Pozuelo (18.ooo euros) e de Luis del Rivero (260.000 euros), então conselheiros delegados da Construtora Hispânica S.A. e do Grupo Sacyr, respectivamente, a doação de Juan Miguel Villar Mir (430.000 euros), presidente do grupo OHL, e a doação de José Luis Sanchéz, presidente das Construções Sando. Todos os visados terão beneficiado das adjudicações para a privatização da gestão dos hospitais públicos, segundo avança o PSM.
Bárcenas “tem uma bomba relógio que pode estoirar com o governo”
O coordenador federal da Izquierda Unida (IU) afirmou esta quinta feira que o ex tesoureiro Luis Bárcenas “tem uma bomba relógio que pode estoirar com o governo” e que “é ele que decide se a ativa, quando a ativa e como a ativa, e neste momento voltou a desativá-la, mas tem os ases todos na manga”.
Cayo Lara acusou o Partido Popular de não ter “vontade de fazer uma regeneração democrática”, entre outros motivos, porque no seio desta formação “aninha uma posição determinada de gente que considera que o governo tem que estar ao serviço dos interesses de determinadas empresas”.
Para o responsável máximo da IU, é necessário “um debate político sobre a corrupção para que se retirem conclusões, se diga e se descubra por que razão se chegou a esta situação e que medidas se vão adoptar para que isto não volte a acontecer”.
Despesas não identificadas de 800 mil euros nas eleições legislativas
Paralelamente ao caso Bárcenas, o Tribunal de Contas (TC) veio agora divulgar que o Partido Popular excedeu, em 54 mil euros, o limite estipulado para as despesas com publicidade e imprensa nas eleições legislativas de 2011. O TC esclarece ainda que 16 empresas que foram contratadas pelo PP, e às quais foi paga uma soma total de 800 mil euros, não facultaram dados da facturação, tal como é legalmente exigido.