Passos mantém afirmações sobre desemprego

12 de maio 2012 - 15:45

Primeiro-ministro disse sexta-feira que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser "uma oportunidade para mudar de vida". Diante das críticas, diz que reafirma tudo, mas tem o cuidado de mudar a versão, que está, porém, gravada. Louçã acusa primeiro-ministro de falta de respeito.

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Passos disse que reafirma tudo, mas corrigiu o que disse.

Passos Coelho afirmou este sábado que mantém as afirmações que fez sobre o desemprego um dia antes e que provocaram uma onda de escândalo e indignação.

"Acho que o país está um bocadinho cansado das crises artificiais e desta tentativa de distorcer e de aproveitar qualquer coisa para querer fazer uma tensão enorme no país. Sei bem o que disse e mantenho o que disse", afirmou Pedro Passos Coelho.

Apesar de afirmar saber o que disse – ou talvez por isso – aoresentou uma versão diferente das suas próprias palavras: "O país precisa de retirar aos desempregados o estigma do desemprego e aqueles que estão nessa situação perceberão que terão, por parte do Estado, o apoio devido para se prepararem para um futuro. Mas precisam também, e toda a sociedade, de encarar a situação do desemprego como uma situação que é preciso vencer e não pode ficar estigmatizada nas pessoas", acrescentou.

Ora o que o primeiro-ministro disse, na sexta-feira, foi que "estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo".

"Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade". Este discurso foi feito durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Nas palavras de hoje, o conceito de “uma oportunidade para mudar de vida” e de “uma livre escolha” desapareceram.

Apesar disso, Passos Coelho optou pela vitimização: "Não sei se foi mal interpretado ou se quiseram interpretar assim. Eu acho que quiseram interpretar assim".

Louçã: indignante

"Ouvi essa frase e é indignante”, disse o coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã. “Depois de um governo ter provocado a facilidade dos despedimentos, que tem como consequência mais despedimentos, depois de provocar a facilitação da precariedade, que causa mais precariedade, depois de reduzir a indemnização pelos despedimentos, depois de atacar as pessoas de todas as formas, ainda lhes diz que a sua desgraça é uma oportunidade para elas".

Para Francisco Louçã, "é preciso que haja um sentido de respeito pelas pessoas que este Governo não demonstra ter", lembrando que “há 800 mil desempregados que já não têm subsídio de desemprego e um milhão que quer trabalhar, tem direito a trabalhar, levou uma vida a puxar por este país e não tem nada".

O deputado bloquista considerou que o que Pedro Passos Coelho disse "é cinismo, inaceitável e sobretudo falta de respeito".