O manifesto de apoio ao desarmamento da ETA foi divulgado esta quarta-feira num hotel em Bilbau, com a presença de representantes dos partidos PNV, EH Bildu, PSE-EE, Podemos Euskadi, Geroa Bai, Podemos Navarra, Ezker Anitza, Izquierda-Ezkerra e Equo Euskadi e os sindicatos ELA, LAB, Comisiones Obreras, UGT, STEE EILAS, ESK, Etxalde Mugimendua e Hiru.
“O desarmamento é um passo imprescindível para a paz”, diz o manifesto que surgiu para credibilizar do ponto de vista politico e social o processo iniciado pela ETA e apoiado por uma comissão internacional formada por personalidades com experiência na resolução de conflitos armados semelhantes. Trata-se de um processo “irreversível, completo e unilateral e sem condicionamento político”, afirma o texto lido em euskera pela secretária-geral da LAB, Ainhoa Etxaide, e em castelhano pela secretária de Cidadania e Liberdades Públicas do PSE, Rafaela Romero.
Exigimos la desaparición de ETA y un desarme completo y definitivo que tenga presente la memoria de las víctimas https://t.co/4QfHlISap2
— Socialistas Vascos (@socialistavasco) 5 de abril de 2017
“O cumprimento deste objetivo contribuiria decididamente a encerrar na sociedade e política basca uma etapa relacionada com o passado. E permitiria, recordando todas as vítimas, avançar de forma fundada para um novo tempo de presente e de futuro centrado na convivência”, prossegue o texto do manifesto subscrito pelos principais partidos e sindicatos bascos, à exceção do PP e da UPN.
El desarme es un paso importante para abrir una nueva etapa, según los partidos y sindicatos que hemos comparecido https://t.co/J4OxmVmwfD pic.twitter.com/oGnIzK84P9
— LAB #gureGaraia (@LABsindikatua) 5 de abril de 2017
Presente na sessão, o líder da EH Bildu e ex-preso político Arnaldo Otegi, afirmou que “hoje o país está aqui e o PP está, como sempre, fora da realidade”.
Gaur alderdiek eta sindikatuek izenpetutako agiria.
Manifiesto al que se han adherido partidos y sindicatos.#NiEreBaionara pic.twitter.com/fG739NmVZw— EH Bildu (@ehbildu) 5 de abril de 2017
Os signatários lançam um apelo à organização armada independentista para “que realize num curto espaço de tempo um único ato de desarmamento unilateral, completo, definitivo e verificado”. E solicitam à comissão internacional de verificação “que continue a desenvolver os seus bons ofícios para culminar este objetivo”. Por fim, convidaram os governos espanhóis e francês para a conclusão do desarmamento da ETA.
El desarme es un paso imprescindible para la paz, una aspiración largamente ansiada por la ciudadanía y nuestras organizaciones. pic.twitter.com/UjVZP1omw7
— Podemos Euskadi (@PodemosEuskadi_) 5 de abril de 2017
Este apelo terá sequência no próximo sábado em Baiona, num ato público que pretende juntar também forças políticas e sindicais do outro lado da fronteira. O dia 8 de abril foi apontado como o momento do desarmamento completo da ETA por parte de um dos detidos na operação policial que tentou frustrar mais uma operação de inutilização de armas da ETA em dezembro. Tanto os verificadores como o próprio governo basco voltaram a apelar aos governos espanhol e francês que se tornassem interlocutores deste processo.
.@eajpnv aboga por un #desarme de ETA "irreversible, completo, unilateral y sin condicionamiento político". pic.twitter.com/EMPbF1wSjY
— EAJ-PNV (@eajpnv) 5 de abril de 2017
Esta quarta-feira, o secretário-geral para a Paz e Convivência do governo basco, Jonan Fernandéz, disse aos jornalistas não acreditar que o desarmamento se complete a 100% este sábado, dado que haverá um processo de confirmação e verificação posterior. Um dos eixos do Plano de Convivância e Direitos Humanos 2017/2020 agora apresentado pelo governo passa pelo apoio à verificação do desarmamento “legal, definitivo e sem contrapartidas como passo prévio à dissolução e desaparecimento” da ETA.