Realizou-se este sábado em Londres mais uma manifestação de apoio ao grupo de ação direta Palestine Action, que se destacou nos últimos anos por invadir e destruir equipamentos de algumas das fábricas em solo britânico que produzem armamento e componentes militares com destino ao exército israelita. Ações que acabam em tribunal e que o Governo de Keir Starmer equiparou a terrorismo, levando à proibição do grupo e à repressão de quem o apoiar.
Desde a proibição decidida ao abrigo da lei antiterrorismo, milhares de pessoas já foram detidas pela polícia por segurarem cartazes com as frases “Eu oponho-me ao genocídio. Apoio o Palestine Action”. Mas a contestação legal a essa proibição resultou em fevereiro numa decisão do tribunal superior de Londres a favor dos ativistas. Os juízes entenderam que as atividades do Palestine Action que constituem crimes podem ser tratadas ao abrigo da lei existente e ”a natureza e a dimensão das atividades do Palestine Action que se enquadram na definição de terrorismo ainda não atingiram o nível, a escala e a persistência que justificariam a proibição”.
Breaking: Today's mass arrests of peaceful protesters in Trafalgar Square under UK terrorism law are yet another blow to civil liberties in this country - and made all the more outrageous by the Metropolitan Police's own U-turn.
The High Court ruled in February that the… pic.twitter.com/EOqIsE18lT— Amnesty UK (@AmnestyUK) April 11, 2026
A manifestação deste sábado em Trafalgar Square foi a primeira desde a decisão do tribunal de considerar ilegal a proibição do grupo, uma decisão de que o Governo recorreu. E a polícia voltou assim a deter os manifestantes, anunciando ao final do dia a detenção de 527 pessoas, dos 18 aos 87 anos. “Uma medida já de si absurdamente autoritária degenerou agora ainda mais numa farsa, na véspera da audiência no Tribunal de Recurso deste mês”, afirmou um dos organizadores do protesto, citado pelo Guardian.
Entre os manifestantes encontravam-se vários membros do grupo que fizeram greves de fome na prisão. “Como ex-prisioneiros e ex-grevistas de fome, um dos nossos principais objetivos hoje é contrariar precisamente o objetivo do Estado ao ter-nos mantido presos durante 15 meses e garantir que nunca mais regressemos a estas ruas. É por isso que estamos aqui a lutar, para lhes mostrar que, apesar de tudo o que nos fizeram passar, nunca abandonamos a nossa causa”, disse Qesser Zuhrah.
“Este governo britânico está determinado a provar que quem cria as armas não são terroristas, mas aqueles que as destroem são os terroristas, o que é uma loucura”, acrescentou a ativista.
Neste protesto que serviu para expor e ridicularizar a repressão ao movimento que através de ações diretas não-violentas tem causado estragos e impedido a celebração de novos contratos com o aparelho militar israelita, encontravam-se pessoas de todas as idades e profissões, incluindo artistas como o vocalista dos Massive Attack, Robert Del Naja.
BREAKING: Massive Attack's Robert Del Naja unlawfully arrested under the Terrorism Act.
He was amongst hundreds of protestors arrested for holding signs which say "I oppose genocide - I support Palestine Action".
The ban is unlawful, and so are these arrests. pic.twitter.com/FOgvC0z7x2— Defend Our Juries (@DefendOurJuries) April 11, 2026