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Palestina abandona presidência da Liga Árabe

O país deveria presidir às reuniões da Liga Árabe nos próximos seis meses. A decisão acontece em protesto contra os acordos assinados com Israel.
Palestina abandona presidência da Liga Árabe
Fotografia de Mohamed Hossam/Lusa.

De acordo com o ministro palestiniano das Relações Internacionais, a Palestina abandonou a atual presidência das reuniões da Liga Árabe. A saída foi justificada com a condenação do acordo assinado entre vários países árabes e Israel, que normaliza as relações entre os países. 

A Palestina vê os acordos assinados há uma semana pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Bahrein com Israel como uma traição à sua causa e um golpe na luta por um estado independente no território ocupado por Israel.

Já no início de setembro, lembrou a Al Jazeera, o país não conseguiu convencer a Liga Árabe a condenar as nações que normalizaram as relações com Israel.

"A Palestina decidiu ceder o seu direito de presidir ao conselho da Liga [de ministros das Relações Exteriores] na sessão atual. Não há nenhuma honra em ver os árabes correrem para a normalização durante esta presidência", disse Maliki, referindo-se às relações com Israel. O país deveria presidir às reuniões da Liga Árabe nos próximos seis meses. 

Embora não tenha feito uma referência direta aos Emirados Árabes Unidos e ao Bahrein, o ministro palestiniano fez saber que deu conhecimento da sua decisão a Ahmed Aboul Gheit, secretário-geral da Liga Árabe. 

O fim do boicote económico que a normalização das relações entre os Emirados Árabes Unidos e Israel vem trazer, tem como objectivo “apoiar a cooperação bilateral com o intuito de estabelecer relações bilaterais”, bem como “estimular o crescimento económico e promover a inovação tecnológica”, noticiou a WAM, agência estatal dos EAU. Incluídos no acordo de paz estão a troca de embaixadores e trocas comerciais, incluindo voos diretos entre Abu Dhabi e Telavive, e estaria também o fim imediato da anexação de novos territórios palestinianos por parte de Israel, algo que Netanyahu se apressou a negar.

A Palestina quer um estado independente baseado nas fronteiras antes da guerra de 1967, na qual Israel ocupou a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e anexou Jerusalém Oriental.

Os países árabes há muito pedem que Israel se retire das terras ocupadas ilegalmente, uma solução justa para os refugiados palestinos e um acordo que leve ao estabelecimento de um estado palestino viável e independente.

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