Passado um mês desde o início do ano letivo, ainda há muitas turmas sem professor nas escolas portuguesas. Desde setembro que o Governo vem prometendo que a situação estará resolvida nos dias seguintes, mas a situação tornou-se ainda mais caótica depois do concurso da Bolsa de Contratação de Escola que colocou professores através de uma fórmula errada.
Na Escola Básica 2/3 Pedro de Santarém, em Lisboa, juntaram-se dezenas de pais, professores e alunos para denunciar a falta de 23 docentes naquele estabelecimento de ensino, um no jardim de infância, 3 no primeiro ciclo e 19 no segundo e terceiro ciclos. Os presentes neste protesto colaram cartazes no gradeamento da escola com frases como “Vergonha! Que nunca mais se repita. Exigimos Respeito”, “Qualidade como? Quando? Compensar o tempo perdido”, ou “Uma semana passou, nesta escola nada mudou”.
“Chega a acontecer haver alunos que não têm quatro e cinco disciplinas”, disse à agência Lusa Manuel Barata, presidente da Associação de Pais, acrescentando que estão a ser prejudicados, só naquela escola, entre 400 a 500 alunos. “Já ouvimos tantas promessas de que isto ia ser resolvido, tínhamos alguma esperança de que, na sexta-feira, fossem colocados professores e não foram colocados, agora temos a esperança de que, na próxima semana, sejam colocados, mas não passa de esperança”, acrescentou o líder da Associação de Pais.
Em Viseu foi à porta da Escola Alves Martins que se reuniram os pais e professores. Presente neste protesto, o presidente da Federação Regional das Associações de Pais de Viseu pediu a demissão dos responsáveis por esta situação em que decorrido “mais de 50% do primeiro momento letivo, ainda há muitas escolas que não têm professores”. "O apelo que fazemos ao senhor ministro é que vá para casa e deixe o lugar a outras pessoas que, se calhar, estão mais à altura para resolver o problema", declarou Rui Martins.
Em Coimbra, dezenas de pessoas concentraram-se em frente da Escola Jaime Cortesão. André Pestana, do movimento Boicote&Cerco, defendeu o fim dos “experimentalismos na colocação de professores", exigindo que se volte à "lista de ordenação única nacional", que "garante transparência e celeridade" no processo. Protestos semelhantes ocorreram noutras escolas em Lisboa, Setúbal, Ericeira, Faro e Seixal.
Pais e professores sugerem formas para atenuar o impacto dos dano
A questão da compensação dos alunos que irão começar as aulas um mês depois dos restantes, pelo que serão prejudicados nos casos em que são submetidos a exame, preocupa também a comunidade escolar.
A Confederação Nacional das Associações de Pais sugeriu a existência de aulas de compensação durante as férias para que os alunos ainda sem professores pudessem recuperar mais facilmente. Uma proposta que para a Fenprof terá de ser analisada com cuidado. "Os alunos têm de ter tempos de descanso. Não podem estar com aulas aos fins de semana e nas férias", declarou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, que também se mostrou contrário aos cortes nos programas, outra sugestão vinda de diretores escolares.
O dirigente da Fenprof sugere por seu lado que se deve colocar a hipótese de não realizar os exames do 4º e 6º anos e que caberá a cada escola definir as medidas para atenuar os danos causados pelo caos na abertura deste ano letivo. "Se há alunos que não tiveram um professor, há outros que não tiveram cinco" e "se há turmas sem professores durante duas semanas, há outras que estiveram um mês e meio sem aulas", explicou. Mas qualquer que seja a solução adotada, "não há reparação possível dos prejuízos causados aos alunos”, concluiu Mário Nogueira.