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Organizações assinam Acordo de Glasgow para cortar emissões em 50% até 2030

Mais de 80 organizações de todo o mundo assinaram esta segunda-feira um acordo para “travar o caos climático”, comprometendo-se a identificar setores a serem transformados na próxima década.

Enquanto as instituições internacionais e os governos do mundo “mais uma vez pararam qualquer ação climática”, mais de 80 organizações e grupos de base de todo o mundo “juntaram-se para assinar um acordo para travar o caos climático”, pode ler-se num comunicado da Gathering for Climate Justice.

O Acordo de Glasgow compromete estas organizações a desenvolver “inventários nacionais de infraestruturas e setores a serem encerradas e transformadas na próxima década”, e depois da crise, “a agenda climática para atingir esse corte indispensável”. O acordo foi assinado esta segunda-feira no encontro From the Ground Up - Gathering for Climate Justice.

Este novo passo em frente para o movimento pela justiça climática inclui plataformas como MOCICC, do Peru, a Plataforma Boliviana frente al Cambio Climatico (Bolívia), a Alianza Mexicana contra el Fracking e o 2020 Rebelión por el Clima (Península Ibérica), mas também várias greves climáticas estudantis e Fridays for Future  (Estados Unidos, Brasil, Espanha, Irlanda, Portugal, Uganda, Argentina, Filipinas, França, Bélgica, Roménia, Holanda), vários Extinction Rebellions (Gales, Irlanda, Gâmbia, Espanha, Holanda, várias cidades alemãs) e movimentos diversos, ONGs e sindicatos, como Climáximo (Portugal), Code Rood (Holanda), Acción Ecológica (Equador), Ecologistas en Acción (Espanha), ATTAC Maroc (Marrocos), Rising Tide UK (Reino Unido), LINGO (México), Fundação Arayara (Brasil), ELA Euskal Sindikatua (País Basco), South Durban Community Environmental Alliance (África do Sul), Justiça Ambiental (Moçambique) ou HOMEF (Nigéria).

“A diversidade destes movimentos é também a força deste acordo”, que se focará em criar planos para ação na próxima década, “para travar a insanidade dos combustíveis fósseis que está a levar a nossa civilização para o colapso”.

Daqui a três meses, os membros do Acordo apresentarão os seus primeiros inventários de territórios de emissões desagregadas, e irão começar o processo político e social de construir a agenda climática “vinda de baixo, que responde não só à crise climática, mas às crises social, de saúde, ambiental e económica, que atormentaram as últimas décadas do capitalismo tardio”.

João Camargo, ativista da Climáximo, considera que a iniciativa "é um evento auspicioso, que procura romper com rotinas, também dentro do movimento internacional, que tem a necessidade de se reinventar permanentemente, face às crises recorrentes, não só no clima e ambiente, mas nas sociedades em geral".

"Traz clareza e contundência e afirma inequivocamente a aliança internacional e especialmente a aliança Norte-Sul sem a qual não é possível sequer começar a abordar a crise climática. Não abdica de tentar ganhar, mesmo frente a todas as dificuldades, e vai criar planos exactamente para isso: para ganhar", conclui.

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