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Operadora turística Thomas Cook abre falência

A Thomas Cook gere hotéis, resorts e companhias de aviação e deixou cerca de 600 mil turistas com contas por pagar, 150 mil dos quais britânicos. Estão em risco 22 mil empregos. O grupo chinês Fosun, que detém a Fidelidade, é o principal acionista da empresa.
Avião da Thomas Cook – foto de Liam J McManus/flickr, Manchester Airport Photostream
Avião da Thomas Cook – foto de Liam J McManus/flickr, Manchester Airport Photostream

A Thomas Cook é uma operadora turística britânica que tem 178 anos de atividade e vive dificuldades financeiras há vários anos. A falência coloca 22 mil empregos em risco, nove mil dos quais no Reino Unido.

Estava previsto que a empresa assinasse um pacote de resgate com o seu maior acionista, o grupo chinês Fosun, num montante estimado em 900 milhões de libras (1.023 milhões de euros). Porém, o resgate foi adiado devido ao facto de os bancos, como o RBS ou o Lloyds, exigirem que a empresa tivesse fundos adicionais num montante de, pelo menos, 200 milhões de libras (227 milhões de euros), o que ela não conseguiu.

Recordamos que, em Portugal, o grupo chinês Fosun detém a seguradora Fidelidade (adquirida à Caixa Geral de Depósitos, em 2014) e a Luz Saúde, é o maior accionista do banco BCP (com 27,25%) e, através da seguradora, tem 5% da REN – Redes Energéticas Nacionais.

600 mil turistas para repatriar

Perante a falta de acordo para o resgate, a companhia abriu falência, deixando centenas de milhares de turistas de férias, com contas por pagar e, em muitos casos, dependentes da intervenção dos governos para a sua repatriação.

Em comunicado, a Thomas Cook anunciou que “apesar dos esforços consideráveis, as discussões entre as diferentes partes interessadas do grupo e de novas fontes de financiamento possíveis, não resultaram em acordo”, e termina: “Desta forma, o Conselho de Administração concluiu que não tinha escolha, a não ser tomar medidas para entrar em liquidação com efeito imediato”.

A Thomas Cook gere hotéis, resorts e companhias aéreas, detendo 116 aviões (85 Airbus e 31 Boeing) e tem 600 mil clientes de férias, dos quais 150 mil do Reino Unido, e outras centenas de milhares da Alemanha e de países escandinavos, nomeadamente. Os 116 aviões deixam de levantar voo de imediato e muitos milhares de turistas estão impedidos de sair dos hotéis e dos resorts ou de viajar, sem pagarem. Para estes turistas regressarem aos seus países vai ser necessário que os respetivos governos organizem o repatriamento.

O governo britânico criou já a Operação Matterhorn e fretou 45 aviões para realizar o repatriamento. O seu ministro dos Transportes, Grant Shapps, afirmou que será a maior “repatriação em tempo de paz” na história do Reino Unido.

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