"As medidas de austeridade adoptadas por certos países, como Grécia e Espanha, diante de um excessivo endividamento público, não ameaçam apenas o emprego no sector público e os gastos sociais, mas também tornam a recuperação económica mais frágil e incerta", explica o comunicado do departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU.
"Os governos devem reagir com prudência às pressões a favor da consolidação orçamentária e da adopção de medidas de austeridade se não quiserem arriscar-se a pôr em causa a recuperação da sua economia", avança o documento.
A ONU defende que "é essencial que os governos levem em conta as consequências sociais prováveis de suas políticas económicas" sobre alimentação, saúde e educação, para não penalizar o crescimento económico de longo prazo.
Caso tal não aconteça, as políticas económicas de austeridade podem dar lugar a um "círculo vicioso" formado por um "fraco crescimento e um fraco progresso social".
O comunicado esclarece ainda que "os países que implementaram sistemas de proteção social estão em melhor posição para atenuar as consequências dos impactos" da crise e "impedir que sua população se afunde ainda mais na pobreza".
No que repeita aos inúmeros apelos a uma maior flexibilidade do mercado de trabalho, a ONU alerta para o facto de esta vir "acompanhada frequentemente por uma queda de salários e por uma degradação das condições de emprego".
Por fim, a organização lamenta que as medidas financeiras adoptadas até à data não respondam às causas profundas da crise, o que implica que a “recuperação segue ameaçada por novos excessos".