O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quarta-feira novas sanções contra o Irão para pressionar o país a interromper o seu programa nuclear. O Brasil e a Turquia, que têm vagas rotativas no Conselho de Segurança, sem direito a veto, votaram contra as sanções. O Líbano, também integrante rotativo, absteve-se. Os outros 12 membros do Conselho votaram a favor.
A embaixadora brasileira na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciou o voto contra explicando que o Brasil “não vê as sanções como um instrumento eficaz nesse caso”.
A resolução aprovada agrava, no essencial, as sanções anteriores, alargando a lista de pessoas que poderão ter os bens congelados ou ficar impedidas de viajar para o estrangeiro. O documento barra também investimentos iranianos em actividades sensíveis no estrangeiro e permite a inspecção de navios iranianos em alto mar.
Para o Brasil, as sanções “provavelmente levarão ao sofrimento do povo iraniano” observando que experiências passadas, “notavelmente o caso do Iraque”, mostram que as políticas de sanções e de isolamento podem ter consequências trágicas.
Viotti voltou a defender o acordo firmado no mês passado pelo Brasil e pela Turquia com o governo iraniano, pelo qual o Irão se comprometia a enviar o seu urânio com baixo nível de enriquecimento ao território turco e receberia em troca material enriquecido para uso civil, mas não militar.
“A adopção de sanções, nessa conjuntura, vai contra os esforços do Brasil e da Turquia para engajar o Irão em uma solução negociada para o seu programa nuclear”, afirmou a diplomata brasileira.
Assim que a resolução foi aprovada, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que o Irão recebeu “uma mensagem inequívoca”. A chanceler Angela Merkel sublinhou que era tempo de aumentar a pressão, depois de dois anos em que Teerão “não aproveitou nenhuma das ofertas” que lhe foram feitas.
“Estas resoluções não valem um cêntimo”, reagiu o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acrescentando que o documento aprovado “são como os lenços usados – bons para o lixo”.