O presidente Barack Obama anunciou que a partir de Julho e até ao final deste ano, os EUA vão retirar dez mil soldados do Afeganistão. Até ao Verão do próximo ano, os EUA irão reduzir o seu contingente em 33 mil militares. O número equivale ao reforço de tropas no Afeganistão ordenado por Obama há ano e meio. A redução de tropas é maior do que as previsões apontadas nos últimos dias pela imprensa.
Horas depois, a França anunciou também a retirada progressiva das suas próprias tropas – actualmente 4 mil soldados.
A estratégia dos EUA foi detalhada num pronunciamento na Casa Branca, transmitido ao vivo pela TV. Segundo o presidente, até Setembro de 2012 todos estes soldados americanos terão voltado para casa.
Os Estados Unidos têm actualmente cerca de 100 mil soldados no Afeganistão. Obama não deu detalhes, porém, sobre os planos para retirar os cerca de 68 mil restantes, dizendo apenas que os EUA continuarão a sua retirada gradual até 2014, altura em que o “processo de transição” para as forças de segurança afegãs “estará completo”.
Obama ressaltou que está a cumprir a promessa feita quando anunciou o reforço das tropas no Afeganistão. “(Na ocasião) deixei claro que o nosso comprometimento não seria por prazo indefinido e que começaríamos a retirar as nossas forças neste mês de Julho”, disse.
Divisões
Segundo a BBC, porém, há grandes divisões dentro do governo americano sobre a rapidez com a qual os militares devem deixar o Afeganistão. Os planos anunciados envolvem uma retirada maior e mais rápida do que a recomendada por alguns comandantes, que defendem uma redução limitada das forças americanas, para evitar um possível retrocesso no combate aos Taliban.
O secretário de Defesa, Robert Gates alertou recentemente que o progresso conquistado até agora pode estar ameaçado caso a retirada não ocorra de modo “organizado e coordenado”.
Mas a opinião pública vem demonstrando uma crescente rejeição à presença no Afeganistão, sentimento que aumentou ainda mais após a morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden.
Na semana passada, um grupo de 27 senadores de ambos os partidos enviou uma carta a Obama a pedir uma grande retirada.
“Os custos de prolongar a guerra superam em muito os benefícios”, dizia a carta.