O Bloco “preferia um acordo à esquerda”

29 de dezembro 2021 - 23:29

Em entrevista à CNN Portugal Catarina Martins afirmou que o PS “decidiu não fazer nada com a esquerda” para resolver o problema de ter “um governo desgastado” e tentar ter maioria absoluta. Agora que vamos a eleições, o partido reitera “exigência”, “humildade” e “força” para responder ao país.

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Catarina Martins em entrevista à CNN.
Catarina Martins em entrevista à CNN.

Foi o Partido Socialista que “decidiu não fazer nada com a esquerda” e “não quis negociar com ninguém”. Depois de revisitar o passado, em entrevista à CNN Portugal na noite desta quarta-feira, Catarina Martins defendeu que o partido do governo “decidiu criar uma crise política porque achou que era uma boa altura para ter maioria absoluta” e porque “a solução que António Costa teve para um governo desgastado foi precipitar uma crise política e ir para eleições”.

Isto foi “um erro”, o Bloco teria viabilizado o orçamento se este “tivesse respondido às necessidades do país” e “preferia que tivesse havido um acordo à esquerda”, reitera. Só que “o governo não fez nada para fixar os profissionais do Serviço Nacional de Saúde e temos demissões nos hospitais todos os dias” e “arranjou um truque contabilístico para injetar dinheiro no Novo Banco contra aquilo que o Parlamento tinha votado.”

Assim como lembrou que o Bloco de Esquerda já tinha votado contra o orçamento passado e que a novidade é que o Partido Socialista, depois de ter dito “que não queria negociar com o Bloco de Esquerda porque iria negociar com o PCP”, acabou também por não negociar com este partido. Aliás, “isto surpreendeu muito as pessoas porque o Partido Socialista tinha vindo a dizer que tinha ali um parceiro fiável com quem queria negociar”.

Questionada sobre a possibilidade de um regresso da direita ao poder, a dirigente bloquista insiste que “só há uma maioria de direita se a esquerda não for votar. E a esquerda só não vai votar se se considerar absolutamente afastada por um modelo de governo do PS, que não fez nada por quem trabalha, que não fez nada pela saúde e que na verdade andou a governar com os votos da direita até agora”.

Catarina Martins não deixa esquecer que “em 2019, o Partido Socialista não quis fazer acordo e começou no parlamento a aprovar um conjunto de legislação com a direita um conjunto de legislação”. Uma opção que marcou o fim da geringonça, processo político que considerou “muito importante”, que “nunca tinha sido feito antes em Portugal”, por ser um acordo escrito com “um horizonte para o país” e “depois até se fizeram coisas que não estavam lá e foi-se mais longe” mas “todo o país conhecia o acordo”.

Para ela, o Bloco por ser terceira força política “foi força determinante para um dos governos que foi mais importante porque afastou a direita, afastou os cortes, deu novos horizonte de perspetiva" e foi a "oposição mais exigente”.

Esta exigência passou por nunca ter aceite “as negociatas, o que se estava a ser feito com os bancos”, se terem feito as comissões de inquérito e mudadas regras. Passou também pelo Bloco ter sido “intransigente” quando “uma das primeiras coisas que o PS tentou fazer” foi algo que estava no acordo que não podia acontecer: “não se podia cortar na contribuição patronal para a Segurança Social” de forma a não comprometer a sua sustentabilidade. A posição do partido fez com que o governo tivesse “de arranjar uma medida alternativa que cumprisse o acordo”. E sinal de exigência foi também calendarizar as medidas negociadas porque “o depois logo se vê” falha ao país, é dinheiro que nunca chega ao SNS, são salários médios que ficam congelados” e “isso não pode ser”.

Agora, com eleições à porta o Bloco apresenta-se “eleições disposto a aceitar todas as responsabilidades”, com “enorme humildade”, apresentando o seu programa e assumindo “disponibilidade para soluções de governo que respondam pelas condições concretas do país”. Catarina Martins conclui que para uma reforma profunda do SNS para que possa responder ao país “é preciso outra força e o bloco cá está para outra força”.