No jantar do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza começou por assinalar que "a perda da maioria absoluta do PS aumentou as responsabilidades dos partidos". E lembrou as propostas concretas que o Bloco apresentou para alterar o Orçamento de Estado para 2010 e o PEC do governo. "Foi o PS que escolheu aliar-se à direita", afirmou o líder parlamentar bloquista.
Quanto à intervenção do Bloco, destacou os 19 projectos de lei e 14 projectos de resolução aprovados e as 202 iniciativas legislativas apresentadas pelo grupo parlamentar, mais do que qualquer outro partido com representação na Assembleia da República. Foram ainda apresentadas 1345 perguntas e requerimentos ao governo desde o início da sessão legislativa.
"Este grupo parlamentar desempenhou um papel essencial na formação de maiorias, como na tributação das mais-valias em bolsa, ou no fim da discriminação no casamento civil", mas também "foi firme na oposição às medidas que acrescentam crise à crise e indecência à indecência", sublinhou Pureza. Olhando já para a próxima sessão que começa em Setembro, o líder parlamentar do Bloco mencionou algumas propostas prioritárias, como a "da reforma por inteiro com 40 anos de descontos, a justiça no acesso ao Complemento Solidário para Idosos e a tributação dos bancos e das transferências de capitais de off-shores".
Em seguida interveio Francisco Louçã, com o discurso centrado na “extravagante, extemporânea e perigosa” proposta do PSD para uma revisão constitucional. Louçã diz que o efeito da proposta de Passos Coelho na Saúde “representa o maior aumento de impostos da história portuguesa, em particular sobre a classe média baixa e sobre a classe média em geral”.
“Se qualquer pessoa que tenha um ordenado superior a 500, 600 ou 700 euros - que é a média nacional - tiver que passar a pagar os custos da sua saúde, isso quer dizer que há um aumento violentíssimo dos custos da vida, que é um aumento encapotado de impostos”, acrescentou Louçã. “Na verdade, significa que Passos Coelho faz entrar pela janela a proposta de Ernâni Lopes de redução dos salários de 20 ou 30 por cento. É a isso que corresponde, no caso de doentes crónicos, pessoas com patologias graves, pessoas que têm que se submeter a uma cirurgia”, exemplificou o coordenador da Comissão Politica do Bloco de Esquerda.
“A única pessoa no PS que tem autoridade para combater o revisionismo constitucional é Manuel Alegre, porque foi o único que votou contra todas as alterações substanciais à estrutura democrática da Constituição”, assinalou Louçã, comentando ainda a classificação de "estapafúrdia" dada pelo PS à proposta de Passos Coelho. "E não terá sido 'estapafúrdia' a revisão acordada entre PS e PSD por causa da Constituição Europeia e do seu referendo, que aliás nunca chegou a existir", perguntou o dirigente bloquista.
Ver fotogaleria do jantar do grupo parlamentar do Bloco