Em ambiente de festa e com dezenas de milhares de pessoas a encherem a Praça de Maio, tomaram posse esta terça-feira o presidente Alberto Fernández e a vice-presidente Cristina Kirchner. Pela frente têm a tarefa de recuperar a economia de um país afundado em dívidas, após um mandato de políticas neoliberais comandadas por Mauricio Macri, derrotado nas presidenciais.
A questão da dívida é central para a economia argentina e Alberto Fernández defende que ela só poderá ser começar a ser paga quando o país crescer economicamente. Avisou os mais ricos que serão chamados a pagar uma “contribuição solidária” e prometeu aumentar as pensões dos reformados e os salários mais baixos.
Fernández pediu “tempo, sossego e sobretudo humanidade” para sarar as “profundas feridas” abertas pela política macrista, convidando os cidadãos a apoiarem um novo contrato social “fraterno e solidário”. “Fraterno, porque chegou a hora de abraçar o diferente; e solidário, porque nesta emergência social é tempo de começar pelos últimos para depois chegar a todos. Esse é o espirito do tempo que inauguramos”, declarou o presidente no seu discurso de posse.
O novo presidente pediu aos argentinos que entendam que “o atual cenário é muito feio, uma situação muito, muito difícil de todos os pontos de vista”, com quatro em cada dez argentinos a viverem em situação de pobreza. “O que temos de saber é que o rumo que o país vinha seguindo irá mudar”, garantiu o novo presidente.
Fernández sublinhou a contradição de a Argentina ser um dos principais países produtores de alimentos do mundo e contar com mais de 15 milhões de pessoas a viver em estado de insegurança alimentar. “Uma em cada duas crianças é pobre no nosso país. Sem pão não há presente nem futuro, não há democracia nem liberdade”, prosseguiu o presidente, anunciando que a primeira reunião do novo governo será dedicada à elaboração do plano “Argentina contra a Fome”.
“Sem um sistema de justiça independente não há democracia”
Fernández e Kirchner tomaram posse do Dia Internacional dos Direitos Humanos, tal como Raul Alfonsin em 1983, marcando o fim da ditadura. E no primeiro discurso presidencial não faltaram referências ao estado da justiça, que considera estar ao serviço dos interesses dos poderosos para mover perseguição política a quem lhes faça frente.
“Sem um sistema de justiça realmente independente não há democracia, há apenas uma corporação de juízes prontos a satisfazer o desejo do poderoso e a castigar sem razão os que o enfrentem”, prosseguiu o novo presidente, concluindo com a promessa de uma reforma do sistema judicial e dos serviços de informações para acabar com o “lawfare”, o uso dos meios judiciais como instrumento de guerra contra adversários políticos, e os linchamentos mediáticos com recurso a escutas ilegais.