A Autoridade de Proteção de Dados da Noruega está a investigar o sistema de reconhecimento facial recentemente implantado pelo Facebook e pretende mandar aos responsáveis da rede social uma lista de perguntas acerca da utilização dessa ferramenta.
O sistema permite associar automaticamente um ou vários nomes a uma fotografia, sugerindo a identificação das pessoas que aparecem na imagem. Pode parecer prático, quando o utilizador da rede introduz na sua página fotografias de férias e vê a identificação dos amigos feita automaticamente. Mas levanta dúvidas quanto à utilização dessa informação pelos responsáveis do Facebook.
“É uma ferramenta poderosa que o Facebook tem e não está nada claro como tudo realmente funciona”, disse Bjorn Erik Thon, comissário de proteção de dados da Noruega. “Eles têm fotos de centenas de milhões de pessoas. Precisamos de discutir com eles qual o material que têm nas suas bases de dados.”
O Facebook defende-se, afirmando que informou os membros da rede sobre a nova tecnologia, e que qualquer um pode desativar o “tag suggest”. Segundo um porta-voz da rede, ouvido pela agência Bloomberg, “Deixamos de fazer o reconhecimento facial quando alguém decide que não o quer”.
O Facebook tem mais de 955 milhões de utilizadores ativos, mas a sua sede em Menlo Park, Califórnia, não é responsável pela maioria deles – apenas pelos dos EUA e Canadá. Os outros são da responsabilidade da sede internacional da rede, que fica em Dublin, Irlanda. Por isso, estão sujeitos às leis de proteção de dados europeias. A Noruega não faz parte da União Europeia e por isso está a fazer este inquérito em coordenação com as autoridades irlandesas.
Face.com
Em Junho deste ano, o Facebook anunciou a compra da empresa israelita Face.com, que desenvolveu o software de reconhecimento facial. A rede social já usava o software há cerca de um ano. A compra terá envolvido dezenas de milhões de dólares, mas o valor exato não foi anunciado.
As preocupações em relação à violação de privacidade que um software deste tipo permite não dizem respeito apenas ao reconhecimento de pessoas através dos seus rostos. Um software como este pode analisar as fotografias e associá-las com hábitos e preferências das pessoas (se tem uma cerveja na mão, ou uma lata de coca-cola, por exemplo), pôr pessoas em correspondência umas com as outras e uma infinita multiplicidade de associações que podem ser armazenadas em bases de dados sob o controlo da rede. A utilização dessas bases de dados envolve óbvias questões de privacidade.
Para saber como desativar no seu Facebook o sistema de reconhecimento facial, veja este guia peparado pelo Tugaleaks.