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Noam Chomsky celebra o distanciamento de nações em relação às ações de Israel

"Cada gota de petróleo que é extraída do solo é outra explosão no caixão da espécie humana", afirmou Chomsky em palestra na ONU. Por Andrea Germanos, do Common Dreams
Foto de Robert Moran/flickr

Noam Chomsky disse, na última terça-feira (14), que as recentes votações europeias para o reconhecimento do Estado Palestiniano mostra o desejo das populações de se distanciarem das ações criminosas de Israel. O notável linguista, autor e crítico do império norte-americano acrescentou que a extração contínua de combustíveis fósseis está a destruir um futuro que permitiria uma existência humana decente.

Chosmky concedeu os comentários à imprensa na sede da ONU, durante uma palestra sobre a questão palestiniana. Para os palestinianos, “a única opção moral é resistir à ocupação,” disse ele, e para a liderança palestiniana, “o foco primário” deveria ser “referir-se ao povo norte-americano.” Essa diretriz é necessária, afirmou, para o público norte-americano continuar com esperança de mudar a política do império sobre Israel.

“Creio que não haverá nenhum progresso significativo até que a pressão da população norte-americana induza o governo a tomar medidas diferentes. Todo o movimento nacionalista de terceiro mundo - vietnamita, nicaraguense, timorense, qualquer que tenha sido - entendeu a força da solidariedade e do apoio da população americana até ao ponto em que ela pode modificar políticas”, disse ele.

A adicionar pressão à necessidade de mudança estão os pronunciamentos da Suécia do mês passado - primeiro país da União Europeia a oficialmente reconhecer o estado da Palestina - e a votação simbólica dos legisladores ingleses, reconhecendo a Palestina.

Mesmo a votação no Reino Unido tendo sido simbólica, “a política britânica é sim afetada,” disse ele. “É outro indicador do modo que as populações na Europa e nos EUA querem distanciar-se das ações que Israel está a tomar, as quais são explicitamente criminosas - não há duvidas sobre isso. Eles querem distanciar-se dessas ações, tanto da criminalidade quanto da brutalidade,” afirmou Chomsky.

As ações da Suécia e do Reino Unido são “um apontamento do rumo que as coisas irão tomar,” reconheceu sublinhando que há mais de 130 países que reconhecem a Palestina.

Ainda haverá resistência da Angloesfera - Reino Unido, Canadá, EUA, Austrália. De maneira retórica, Chomsky perguntou se “essas sociedades já aceitaram o facto de que exterminaram a população indígena”.

Essas nações, entretanto, “não podem divorciar-se do mundo,” assegurou Chomsky.

O facto de que os EUA estão de novo a tornar-se num grande exportador de petróleo não irá impulsionar uma mudança na política externa. Isso, de acordo com Noam, é um desastre para o mundo.

“Estamos realmente a brincar com o fogo. Cada gota de petróleo que é extraída do solo é outra explosão no caixão da espécie humana. Estamos a chegar muito perto de destruir as condições decentes da existência humana. A não ser que a maior parte deste petróleo permaneça no solo, onde deve ficar, o futuro dos nossos netos não é muito brilhante. Isso é constantemente negligenciado quando se lê sobre a euforia do fracking.” O preço da gasolina está diminuído, notou Chomsky. "É uma catástrofe, não motivo de euforia".

Artigo de Andrea Germanos publicado em Common Dreams. Tradução de Isabela Palhares para Carta Maior.

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