Está aqui

Navigator: quatro dias de luta marcados por ilegalidades contra a greve

No penúltimo dia de greve nas fábricas da Navigator, os trabalhadores denunciam violações ao direito à greve. Do seu caderno reivindicativo fazem parte a atualização de salários e um plano de carreiras uniformizado. Sandra Cunha, deputada bloquista que esteve presente no piquete de greve, diz que “os trabalhadores têm toda a razão”.
Trabalhadores do grupo Navigator em piquete de greve. Novembro de 2019.
Trabalhadores do grupo Navigator em piquete de greve. Novembro de 2019.

Depois de mais de seis meses de negociação em que se depararam com “intransigência por parte da administração”, os trabalhadores das fábricas da Navigator partiram para uma greve de quatro dias que chega ao final no próximo sábado. Esta é a primeira greve conjunta dos trabalhadores das várias fábricas do grupo produtor de papel.

Em Aveiro, Vila Velha de Ródão, Figueira da Foz e Setúbal vai haver também, segundo comunicado da Fiequimetal, recusa do trabalho extraordinário “em qualquer momento, seja antes, durante ou depois daqueles quatro dias de paralisação”.

Entre as exigências apresentadas pelo sindicato estão a “atribuição imediata, a todos os trabalhadores, das categorias profissionais e dos salários correspondentes às funções desempenhadas” e a “compensação monetária aos trabalhadores que durante largos anos estiveram desenquadrados”, a “valorização dos trabalhadores e das suas carreiras profissionais, com um Plano de Carreiras aplicável a todas as empresas do Grupo” e a criação de “um mecanismo anti-estagnação” salarial.

Ilegalidades contra a greve

A Fiequimetal denunciou também em comunicado que “a administração do grupo está a recorrer à ilegalidade para tentar minorar os efeitos da greve”. De acordo com a estrutura sindical, registaram-se casos de substituição ilegal de grevistas, de “tentativa de inviabilizar a acção dos piquetes de greve” e de “desrespeito de acordos estabelecidos para a segurança de equipamentos e instalações”.

Segundo os sindicalistas, a administração está “de cabeça perdida, face ao impacto da luta”, tendo anunciando que já acionaram os mecanismos, junto das entidades competentes, “para que a legalidade seja reposta”.

Bloco com os trabalhadores da Navigator

A deputada Sandra Cunha esteve presente no piquete de greve na fábrica da Mitrena. Em declarações ao Esquerda.net, sublinhou que “os trabalhadores do grupo Navigator têm toda a razão para estarem em greve face à falta de disponibilidade e à intransigência do grupo Navigator para se sentar à mesa e negociar a melhoria das condições de trabalho e o devido enquadramento salarial e de carreiras que ponha cobro à estagnação profissional e salarial em que a maioria destes trabalhadores se encontra”.

A deputada eleita pelo círculo de Setúbal denunciou que “há trabalhadores que estão há 15 e 20 anos sem qualquer atualização salarial” e realçou que o Bloco “tem acompanhado este processo já desde o início”.

Sandra Cunha é a primeira das deputadas bloquistas que subscreve uma pergunta endereçada ao governo sobre este tema, um texto que começa por recordar que, em abril de 2019, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda endereçou sobre esta situação uma pergunta ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social que “nunca foi respondida”.

Na nova legislatura, o Bloco volta à questionar o governo, desta vez a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre aspetos como a existência ou não de ações inspetivas às empresas do Grupo, “nomeadamente com fundamento em discriminação salarial ou com base em inadequado enquadramento de carreiras”, e sobre a disponibilidade ou não da tutela disponível para “promover a negociação entre as estruturas representativas dos trabalhadores e as empresas com vista a alcançar um acordo que permita ir ao encontro das reivindicações dos trabalhadores e ao cumprimento da lei”.

Termos relacionados Sociedade
(...)