Nabil Al-Raee foi libertado e já está em sua casa em Jenin, Cisjordânia, Palestina ocupada, junto da família e dos amigos que pretendem partilhar com ele a alegria e solidariedade que sentem neste momento. Depois de a juíza de instrução ter determinado a sua libertação, o facto de a acusação não ter apelado da decisão foi determinante ao 36º dia de cativeiro, sem que os captores conseguissem apresentar qualquer acusação concreta.
O encenador e ativista cultural palestiniano regressou a casa emocionado pelo reencontro com a família, amigos e concidadãos, mas também fatigado e profundamente em choque com tudo o que lhe aconteceu sem conhecer ainda hoje as verdadeiras razões, a não ser a do recurso à intimidação contra a sua atividade cultural em favor da paz e convivência livre entre os povos.
A libertação do diretor artístico do The Freedom Theatre de Jenin representa uma recompensa do esforço intenso e sem descanso desenvolvido pela sua família em Jenin e em Portugal, principalmente através da mulher, a atriz portuguesa Micaela Miranda, e pela advogada de defesa. Todos e todas tiveram que enfrentar a hostilidade das forças militares israelitas num processo que envolveu o isolamento do detido, terror e coação psicológica, proibição e limitação de contactos, a multiplicação de falsas acusações e adiamento de promessas de libertação.
A solidariedade para com Nabil Al-Raee foi manifestada também através de uma intensa mobilização internacional assumida em forma de petições, tomadas de posição, iniciativas de cidadãos, artistas e organizações humanitárias, incluindo várias israelitas, documentos e cartas emitidas por deputados portugueses e eurodeputados, a que se juntou um invulgar apelo à libertação do cidadão palestiniano incluído numa resolução histórica do Parlamento Europeu condenando a política israelita de colonização e os obstáculos por ela levantados à restauração de negociações. Também o Ministério português dos Negócios Estrangeiros tomou uma iniciativa em favor de Nabil Al-Raee invocando junto das autoridades israelitas o facto de o assunto afetar duas cidadãs com nacionalidade portuguesa, Micaela Miranda e a sua filha e de Nabil, Mina, que completou dois anos quando o pai estava detido.
Nabil Al-Raee foi preso na madrugada de 6 de Junho na sua residência e levado por militares encapuçados para local inicialmente incerto com espingardas apontadas à cabeça. Nunca teve uma acusação formalizada e os motivos para a detenção foram variando entre a investigação do assassínio de Juliano Mer-Khamis, fundador e primeiro diretor artístico do The Freedom Theatre, proteção "de pessoas em fuga", posse de arma; nunca nenhum deles concretizado e provado pelos militares junto da juíza. O processo ficou caracterizado por algumas situações insólitas para impedir a ação eficaz da advogada de defesa como a sonegação dos nomes das pessoas alegadamente "protegidas" por Nabil e também a existência de um "relatório confidencial" a dada altura recordada à juíza pela acusação.
Na última fase, quando a juíza parecia cada vez mais decidida pela libertação, a acusação ameaçou ainda recorrer para que o cidadão palestiniano continuasse preso, o que acabou por não fazer.
Notícia publicada no site do Grupo Parlamentar europeu do Bloco de Esquerda