"Não quero na Presidência alguém que tenha a superstição dos mercados"

03 de julho 2010 - 11:58

Manuel Alegre inaugurou a sede de campanha no Porto e afirmou que a crise que Portugal está a "viver mostra que o mercado entregue a si mesmo gera desigualdades e pode gerar crises de consequências incalculáveis”.

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Manuel Alegre inaugurou sede de campanha no Porto.

“Eu não sou economista e sei muito pouco de finanças, mas tenho uma outra visão da economia e não quero na Presidência da República alguém que tenha a superstição dos mercados, que aceite uma posição de subserviência em relação aos mercados, que não diga uma palavra quando o Governo toma uma atitude justa que é a de vetar um negócio que punha em causa grandes interesses nacionais”, disse o candidato à presidência da República na inauguração da sede de campanha no Porto, situada na Rua do Bonjardim, 694 (ao Largo Tito Fontes).



Alegre considerou que a actual crise "mostra que o mercado entregue a si mesmo gera desigualdades e pode gerar crises de consequências incalculáveis”. “Nós não podemos pôr o culto do mercado, a religião do Estado, esse novo bezerro de ouro, acima dos interesses estratégicos do nosso país e acima do próprio funcionamento da nossa democracia”, alertou o candidato.



O "roteiro para a juventude" de Cavaco Silva também foi referido no discurso do histórico socialista. “No outro dia fez-se aí um roteiro muito bonito e alguém pedia aos jovens: tenham coragem e sejam empreendedores. Mas como é que eu vou dizer a um jovem que está desempregado, que anda de estágio em estágio sem remuneração que tenha coragem e seja empreendedor. Isto é uma mistificação, isto é uma mentira”, condenou Alegre, que diz querer "mobilizar os jovens desta geração da precariedade para a causa pública”.



Confiante em relação ao desfecho das eleições de Janeiro, Alegre lembrou que “uma eleição não é uma coroação e eu estou farto de ouvir dizer que normalmente um Presidente da República que se recandidata normalmente ganha. Mas há sempre uma primeira vez e vai haver uma primeira vez para um presidente que se recandidata e que se calhar vai perder as eleições”. “Aquilo que é essencial é saber que país nós vamos querer depois das eleições presidenciais e se vamos permitir que a direita portuguesa realize o seu velho sonho de ter uma maioria, um Governo e um Presidente da República. Eu estou aqui para dizer que isso não vai ser possível”, concluiu Manuel Alegre.

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