"Não basta alegria para começar o ano lectivo"

19 de agosto 2010 - 20:16

O Bloco de Esquerda quer saber se estão reunidas as condições mínimas para concretizar a reorganização da rede escolar. A deputada Ana Drago deu como exemplo a garantia do transporte diário para as crianças das 701 escolas encerradas pelo governo.

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Em Lamego, a autarquia acusa o governo de só querer pagar 20% dos custos de transporte para as crianças das 21 escolas que fecharam no concelho

“Não basta alegria, é preciso que estejam reunidas as condições mínimas”, afirmou a deputada Ana Drago à agência Lusa, em resposta às declarações da ministra da Educação no fim da reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira. "Posso-vos assegurar que o ministério da Educação tomou todas as medidas para que o início do ano letivo se faça com a alegria que é própria de uma actividade desta natureza", disse Isabel Alçada aos jornalistas.



Ana Drago lembrou a necessidade de estar assegurada uma rede de transportes que leve as crianças cujas escolas vão encerrar para os novos estabelecimentos de ensino. “Não sabemos se os transportes estão assegurados”, afirmou a deputada bloquista.



Ana Drago criticou ainda a “pressa” com que todo o processo foi desenvolvido, recusando que uma reorganização da rede escolar possa ser feita “à última hora e sem discutir com as escolas, os pais, a comunidade educativa”.



A deputada bloquista lamentou a o governo tenha usado “um critério absolutamente cego” para fechar muitas das escolas. “Não se têm em conta projectos educativos”, lamentou, lembrando que existiam muitas escolas com menos de 21 alunos que foram recentemente requalificadas e reuniam todas as condições, como novos refeitórios e ligação à internet. “As que não podem estar abertas são as que não têm qualidade”, defendeu Ana Drago.



O presidente da Câmara de Lamego, o concelho que mais escolas vai perder (21), acusou o governo de não querer pagar os encargos com o transporte das crianças para as novas escolas. "Estamos agora confrontados com uma proposta do Ministério da Educação que não cobre nem sequer 20 por cento dos encargos que vamos ter", diz Francisco Lopes, calculando a despesa total em 600 mil euros por ano.



"É uma obrigação do Estado assegurar a deslocação das crianças, já que foi o Estado que promoveu este processo de construção de centros escolares e a concentração da rede escolar", defendeu o autarca.