Mulheres ganham menos 43% de pensões

13 de novembro 2023 - 15:44

O Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social mostra que persiste a diferença de género em termos do valor médio das pensões.

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Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

Contas feitas ao Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social, um documento oficial que acompanha a proposta de Orçamento do Estado agora em discussão, fica-se a saber que, em 2022, as mulheres auferiam pensões 43,2% mais baixas do que os homens.

Os dados foram tratados pelo Público que acrescenta que, apesar das mulheres serem mais qualificadas e se reformarem cada vez mais tarde, esta percentagem aumentou relativamente a 2012.

Nesse ano, o diferencial situava-se nos 42,8%. As pensões dos homens eram em média de 548,97 euros, as das mulheres de 314,13 euros. Apesar do valor ter aumentado nos dois casos ao longo da década, há um ligeiro crescimento na diferença: os homens ganham agora 671,75 euros e as mulheres 381,81.

Nas novas pensões regista-se uma tendência de queda da diferença, mas muito ligeira. As pensões que começaram a ser pagas em 2012 implicavam uma diferença de género de 39,2%, dez anos passados situam-se nos 38,5%.

Sobre o aumento do idade de reforma, o documento também indica que as mulheres se reformam mais tarde que os homens: eles em média com a idade de 74,89 anos, elas de 76,17 anos. Tendo em conta somente as novas pensões assinala-se uma aproximação da tendência e uma diferença de meses.

Apesar de se reformarem mais tarde, as mulheres continuam a ter uma carreira contributiva menor. Em 2022, enquanto os pensionistas masculinos tinham descontado em média 33,9 anos, as mulheres apenas tinham descontado 24,41 anos. Mais uma vez, tendo em conta as novas pensões, a diferença diminui: 35,11 anos de descontos para os homens, 30,22 para as mulheres.

Sobre este quadro, o diário falou com a socióloga Sara Falcão Casaca que explica que a diferença “resulta de um conjunto de desigualdades acumuladas ao longo do curso de vida”. Em muitos casos refere-se a “pessoas que, possivelmente, entraram no mercado de trabalho nos anos 1950 ou 1960, quando o acesso a profissões qualificadas e mais bem remuneradas era mais restritivo do que agora e havia também um diferencial em termos de qualificações entre homens e mulheres bastante expressivo”.

A professora no ISCTE manifesta ainda preocupação pelo facto de “vencido o diferencial em termos de escolaridade e tendo as mulheres carreiras contributivas mais longas, o padrão que temos hoje no mercado de trabalho permite-nos inferir que o problema não se vai resolver facilmente. Vamos continuar ter um diferencial das pensões relativamente elevado”.

A investigadora nota ainda que “à medida que a idade avança, o diferencial remuneratório em desfavor das mulheres é maior e isto significa que há dificuldades de progressão na carreira, que as mulheres continuam em profissões onde as remunerações são inferiores, que as responsabilidades domésticas retiram-lhes tempo para a atividade profissional e que muitas entidades empregadoras não têm culturas organizacionais sensíveis a quem tem responsabilidades familiares”.

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