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Movimentos sociais nas ruas para “resgatar o futuro, não o lucro”

Reivindicar uma resposta à crise que lance as bases para um “novo tipo de economia” foi um dos objetivos centrais segundo a organização da manifestação.
Manifestação "Resgatar o Futuro, não o lucro". Outubro de 2020. Foto de RODRIGO ANTUNES/LUSA.
Manifestação "Resgatar o Futuro, não o lucro". Outubro de 2020. Foto de RODRIGO ANTUNES/LUSA.

Quatro dezenas de organizações convocaram a manifestação deste sábado. Em Lisboa, o ponto de encontro escolhido foi a Praça José Fontana. O mote da iniciativa era “resgatar o futuro, não o lucro”.

A partir das 16 horas, centenas de ativistas juntaram-se para exigir uma outra resposta à crise pandémica. Trabalho, ambiente, habitação, direitos sociais, antirracismo e feminismo eram preocupações partilhadas pelos manifestantes.

Assim gritaram em direção ao Rossio: “novo normal, justiça social”, “o nosso abanão é a revolução”, “mudar o sistema, não o clima”, “alarme social, não vamos mais salvar o capital”, “porque esta crise é do patrão, queremos dinheiro para o clima e a habitação”. Assim o reforçavam as faixas que exibiam: “resgatar o futuro, acabar com a precariedade”, “estar aqui é um ato político”, “sobrevivência não é utopia”, “vossos lucros, nossos direitos”, “violência policial mata” e “resistência feminista”.

O dirigente dos Precários Inflexíveis, uma das organizações subscritoras do apelo para a manifestação, Daniel Carapau, sintetizou à Lusa as suas razões: “decidimos convocar esta manifestação para reivindicar uma resposta à crise que lance as bases de um novo tipo de economia, uma economia que ponha as pessoas em primeiro lugar e não os lucros das empresas”.

Considerou que “as respostas do Governo são, por enquanto, muito insuficientes, desde logo nos apoios sociais. O Governo diz que vai garantir que as pessoas têm rendimentos, pelo menos no limiar da pobreza, e isso não está ainda garantido que vá acontecer”.

Outra das organizações responsáveis pelo protesto, a Greve Climática Estudantil” afinou pelo mesmo diapasão de que as respostas do governo são “insuficientes”. Bianca Castro, em nome deste coletivo, afirmou à agência noticiosa pública que “precisamos de um Governo que responda não só a esta crise pandémica, mas também à crise climática, à crise económica e à crise social, que estão todas interligadas”.

Para pressionar, “a luta tem, efetivamente, de continuar a ser feita nas ruas, obviamente cumprindo todas as normas de segurança”. E o resto dos ativistas que participaram da iniciativa demonstrou-o na prática cumprindo escrupulosamente as regras de distanciamento e de uso de máscaras.

A ativista ambiental explicou ainda que, do seu ponto de vista, se trata tanto de “resgatar o futuro”, construindo economia “que tenha a vida no centro e não o lucro no centro” quanto de lutar já pelo presente porque na crise é preciso também “resgatar a vida”.

 

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