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Movimentos questionam posição da CIM do Alto Tâmega sobre minas

O grupo de movimentos cívicos Barroso e Cabreira é contra “o desenvolvimento desenfreado de projetos de mineração” e lembra que ordenamento do território e conservação da natureza e dos recursos naturais são responsabilidade da CIM. Notícia publicada no Interior do Avesso.

O grupo de movimentos cívicos Barroso e Cabreira enviou um documento à Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega a questionar a posição desta relativamente à exploração mineira e aos sucessivos pedidos de prospeção, que abrangem mais de 40% da região.

Os movimentos relembram que, segundo os dados oficiais disponibilizados no site da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), existem atualmente:

  • 14 pedidos de atribuição de direitos de prospeção/exploração para uma área total de 910 km2;

  • 7 contratos de exploração já foram assinados para uma área total de 18 km2;

  • 6 contratos de prospeção já foram assinados para uma área total de 283 km2.

Isto significa que um total de 1211 km2 de território da CIM do Alto Tâmega é alvo potencial de atividade mineira, para uma área total de 2922 km2. A CIM abrange seis concelhos: Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar.

No documento, segundo notícia do Diário Atual, o grupo de movimentos cívicos posiciona-se contra o desenvolvimento desenfreado de projetos de mineração e como promotor de um “ambiente sadio e ecologicamente equilibrado”, lembrando que o ordenamento do território e a conservação da natureza e dos recursos naturais são responsabilidade da CIM.

No mesmo documento, as associações citam o estudo intitulado “Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial do Alto Tâmega”, datado de dezembro de 2014, que caracteriza o território do Alto Tâmega como o “território da água”: “a água é o recurso agregador do Alto Tâmega, transversal a todo território e aos mais variados âmbitos – tais como a sustentabilidade (qualidade da água, sua proteção e conservação), paisagismo (a beleza da composição de cenários proporcionada por rios e quedas d’água), o turismo (principalmente o termalismo e outras atividades aquáticas), a energia (fundamentalmente tendo em conta a utilização da água como fonte renovável), ou a agricultura (considerando a sua importante relevância no suporte às atividades agrícolas e às culturas do Alto Tâmega)”.

“Julgamos incompatível a multiplicação desenfreada de projetos de minas (grande parte delas a céu aberto) com a salvaguarda deste riquíssimo património natural (uma das regiões com maior biodiversidade, segundo os especialistas) e principalmente com a qualidade das águas que ainda usufruímos e que constitui também a sua principal riqueza”, salienta o grupo Barroso e Cabreira, segundo o Diário Atual.

O documento sublinha ainda que o cenário de implementação de inúmeras explorações mineiras é incompatível com a promoção de estratégias de desenvolvimento sustentável, uma vez que, por definição, as minas se enquadram numa estratégia de “maximização dos lucros a curto-prazo e não numa lógica de desenvolvimento sustentável a longo prazo”.

Quanto ao argumento da criação de centenas de postos de trabalho com as minas, o grupo contesta-o, considerando as promessas “irrealistas”, acrescentando que “mesmo que isso fosse a realidade, tratam-se de empregos a curto-prazo, já que a duração média de uma mina será no melhor dos casos de 20 a 30 anos”. “Em contrapartida, quantos empregos sustentáveis e duradouros na área da agricultura e do turismo, entre outros, irão destruir localmente as minas? Mesmo desse ponto de vista, o balanço é claramente negativo”, rematam.

“Não é minimamente compatível e é um atentado, claramente nefasto, à sustentabilidade a longo prazo e para as futuras gerações. Os custos e prejuízos superam largamente os benefícios e, no contexto ambiental, demográfico, patrimonial e cultural, a par das repercussões comprovadas na saúde humana e na qualidade das nossas águas, os danos serão irreparáveis”, defendem no documento, de acordo com o Diário Atual.

Neste sentido, o grupo acredita que se justifica “uma tomada de posição urgente”, por parte da CIM, no sentido de “salvaguardar as riquezas naturais do território e de promover as condições propícias à implementação de uma estratégia de desenvolvimento verdadeiramente sustentável”.

O grupo Barroso e Cabreira é constituído pelas associações Inspira!, Montalegre Com Vida, Povo e Natureza do Barroso, Sol aos Pulos, Unidos em Defesa de Covas do Barroso e os movimentos Não às Minas – Montalegre e SOS – Serra da Cabreira – BASTÕES ao ALTO.

Notícia publicada no Interior do Avesso.

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