A Moção de Censura Popular, que foi lida durante a manifestação de 2 de março, afirma que “os diferentes governos da troika não nos representam” e que “este governo é ilegítimo” pois “foi eleito com base em promessas que não cumpriu”.
“Esta Moção de Censura é a expressão do isolamento do governo” e “o grito de um povo que exige participar. É a afirmação pública de uma crescente vontade do povo para tomar nas suas mãos a condução do país, derrubando um poder corrupto que se arrasta ao longo de vários governos”, lê-se no documento.
Jorge Falcato, um dos promotores do movimento que participou na iniciativa que teve lugar este sábado em Grândola, afirmou à agência Lusa que “pretende-se demonstrar que há um repúdio generalizado por parte do povo português ao governo”.
O executivo PSD/CDS-PP “já não tem condições para governar porque está a levar o país para uma situação de bancarrota, para uma situação de abismo”, defendeu o ativista, frisando que espera que este primeiro evento “possa vir a dar origem a várias mobilizações locais”, que envolvam “as mais diversas entidades”, para a divulgação e subscrição do documento. “Vai haver muita gente a subscrever esta moção”, adiantou, sublinhando que é “inadmissível” que haja “gente a passar fome” em Portugal.
João Madeira, um dos organizadores do evento, frisou, por sua vez, que estão a aderir à iniciativa muitas pessoas que “não têm propriamente o hábito de participar nestes movimentos, o que mostra que há um desconforto social muito grande em relação à política do Governo”. “O descontentamento popular” poderá ter “eco” tanto a nível parlamentar, como “da própria base de sustentação partidária” do Executivo, afirmou, lembrando que “há sinais, como se sabe, de desentendimento, de clivagens, a que a ‘rua’ não é completamente alheia”.
A iniciativa de lançamento da Moção de Censura Popular teve lugar em Grândola por uma questão de “simbolismo”. No Jardim 1.º de Maio tiveram lugar vários momentos culturais, durante os quais se ouviu poesia, cantares alentejanos, hip hop, música cabo-verdiana e de intervenção, e também foi lido o texto da Moção.