Faleceu esta segunda-feira aos 76 anos no Hospital de Setúbal Joaquim Piló, que durante décadas liderou o Sindicato Livre dos Pescadores e Profissões Afins. Piló foi uma voz incansável na defesa dos direitos dos pescadores, acompanhando as suas lutas e criticando os governos, em especial os de Cavaco Silva, que acusava de ser “um dos obreiros da destruição da frota nacional, em que a pesca foi a moeda de troca para fazer estradas”.
O abate de embarcações prosseguiu na década seguinte e Piló considerava-o “um grande negócio para os armadores, que ganham milhares de contos com cada demolição e um péssimo negócio para os trabalhadores, que em cada uma são atirados para o desemprego”.
“Portugal ficou reduzido ao osso” em matéria de frota pesqueira, apontava em 2004, quando o país já tinha ultrapassado “em 46% o abate de frota permitido pela legislação comunitária”.
O sindicalista nascido na Nazaré em 1949 começou a trabalhar na construção civil aos 12 anos. Aos 16 torna-se pescador e vai para a pesca do bacalhau, onde se tornou contramestre nos anos 1970. No documentário “A Outra Guerra”, de Elsa Sertório e Ansgar Schäffer, Piló descreve o quotidiano da vida nos bacalhoeiros. Foi nas águas geladas do Atlântico que ficou a saber da Revolução do 25 de Abril e dizia que esse acontecimento "revolucionou a minha vida". O seu perfil combativo e de liderança depressa o tornou numa das vozes mais respeitadas na profissão, iniciando aí um percurso de ativismo político e sindical que não mais abandonaria. A sua derradeira luta foi a de nunca ter desistido de procurar a verdade sobre as causas de um dos maiores desastres na costa marítima portuguesa: o naufrágio do navio Bolama em 1991.
Dirigente da UDP e fundador do Bloco de Esquerda, Joaquim Piló foi candidato do partido em várias eleições, tendo encabeçado a candidatura à Câmara da Nazaré em 2005 e 2013. Foi dirigente da União dos Sindicatos de Lisboa, da Federação dos Sindicatos do Sector da Pesca e integrou também entre 1993 e 2012 o Conselho Nacional da CGTP.
“No dia em que entregamos as listas às eleições autárquicas na Nazaré, recebemos esta triste notícia. Partimos para este desafio com a memória de Joaquim Piló no coração, inspirados pelo seu exemplo de coragem e de compromisso com a sua terra e com os trabalhadores do mar” afirmou o Bloco/Nazaré em comunicado.
O velório será na terça-feira dia 19, a partir das 17h na Casa Mortuária da Junta de Freguesia da Amora e o corpo será cremado na quarta-feira na Quinta do Conde a partir das 10h30.
O Bloco de Esquerda e o Esquerda.net enviam sentidas condolências aos familiares e amigos de Joaquim Piló.