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Morreu Elza Soares, a mulher do fim do mundo

Aos 91 anos, a cantora e compositora morreu no Rio de Janeiro, por causas naturais. “O meu trabalho é falar de transfobia, de mulher, da discriminação, da consciência”.
Elza Soares por Daryan Dornelles.

A cantora Elza Soares, ícone da música brasileira, morreu esta quinta-feira, aos 91 anos, na cidade do Rio de Janeiro. A sua carreira e luta como mulher negra e pobre das favelas transformou-a num ícone da música brasileira.

Eleita como a Voz do Milénio e considerada uma das maiores cantoras da música brasileira, Elza Soares começou a sua carreira no samba no final da década de 1950, lançou 34 discos, em que além do género mais popular da cultura brasileira, também cantou outros ritmos como jazz, hip hop, ou música eletrónica.

Filha de uma lavadeira e um operário e músico amador, Elza nasceu na favela Moça Bonita, no Rio. Foi obrigada a casar aos 12 anos com um homem de 22 e teve o primeiro filho aos 13. Teve, ao todo, cinco filhos, alguns dos quais morreram por não ter comida para lhes dar. Aos 21, era viúva.

Enquanto era operária numa fábrica de sabão, em 1953, inscreveu-se no programa Calouros em Desfile, uma rubrica radiofónica de Ary Barroso. “De que planeta você veio?”, perguntou o apresentador escarnecendo da roupa mal ajustada de Elza, do “planeta fome”, respondeu.

Cantou Lama, de Aylce Chaves e Paulo Marques. Quando terminou, Ary concluiu: “Nasceu uma estrela”.

Em 1959, sai o primeiro álbum com Se acaso você chegasse, de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martin, seguido de O Samba é Elza Soares (1961), Sambossa (1963) e Um Show de Elza (1965).

Definiu-se como “feminista desde sempre”. “O meu trabalho é falar de transfobia, de mulher, da discriminação, da consciência”, declarou em 2017, no Porto. Um ano antes, lançara A Mulher do Fim do Mundo, o o primeiro de originais, que ganhou consagração internacional, seguido de Deus é Mulher em 2019 e, na despedida, Planeta Fome.

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